O mundo emocionou-se com a fragilidade de João Paulo II em Lourdes, mas ouviu mensagens de força e determinação em favor da vida humana e da paz Os olhos do mundo estiveram divididos, neste fim-de-semana, entre Atenas e Lourdes. A pequena localidade francesa, com o seu santuário mariano, acolheu o Papa João Paulo II, que muitos acompanharam ao vivo e pelos Meios de Comunicação Social, comovendo-se com a sua fragilidade física e admirando a firmeza das suas mensagens e convicções. A primeira imagem que ficou desta peregrinação apostólica, como a chamou o Papa, foi a da frase proferida à entrada das Gruta de Massabielle: “sinto com emoção que cheguei aqui ao termo da minha peregrinação”. Os sinais de dor e debilidade do fim-de-semana não mais saíram diante dos peregrinos e católicos de todo o mundo, preocupados com o seu líder que mal conseguiu falar e teve que interromper várias vezes a homilia na Eucaristia ontem celebrada. As imagens mais fortes, contudo, foram as da mensagem que João Paulo II quis levar até Lourdes, onde homenageou a Virgem Maria na Solenidade da Assunção e no 150º aniversário da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Em Maria, o Papa destacou o papel de todas as mulheres, a quem instou a cumprirem a missão particular que têm nos dias de hoje, “dominados pelo materialismo e secularismo”. “Ao ter aparecido aqui, Maria confiou a sua mensagem a uma rapariga, como que enfatizando a missão especial das mulheres do nosso tempo. A sua missão é serem, na sociedade actual, testemunhas dos valores essenciais que apenas podem ver-se com os olhos do coração”, afirmou. A homenagem à vida que foi esta peregrinação ficou marcada quando o Papa pediu às mulheres para que a vida, “qualquer vida, seja respeitada desde a concepção até ao seu termo natural”. Depois de ter saudado com “particular afeição” os doentes, em grande número em Lourdes, o Papa terminou a visita com uma prece solitária na gruta das aparições, onde pediu a Maria que “obtenha para o mundo o dom tão esperado da paz”. A paz é uma causa fundamental no seu Pontificado, reconhecida por todos: mesmo na França, uma sociedade profundamente laica, oito em cada dez franceses manifestam consenso quanto à acção “positiva do Papa a favor da paz e dos direitos humanos”. No sábado, durante a procissão das velas, o Papa pediu que “o homem não veja no outro um inimigo para a combater, mas um irmão para acolher e amar, para construir um mundo melhor”. De acordo com os números da Conferência Episcopal Francesa, mais de 300 mil peregrinos participaram na missa de ontem. Mais de 200 mil chegaram a Lourdes durante a noite, de autocarro e de comboio. A próxima deslocação de João Paulo II será também uma peregrinação, ao santuário de Loreto, em Itália, a 5 de Setembro.
