A Cáritas Diocesana do Algarve, em parceria com a Câmara Municipal de Monchique, procede hoje à entrega das quatro últimas casas recuperadas no âmbito da campanha “Renascença/Cáritas – Ajuda Portugal”. Este é o resultado visível de uma operação teve, no Algarve, “uma adesão impar por parte da população”, segundo informa a Cáritas Portuguesa. O drama dos incêndios do passado verão em Portugal ainda não se apagou da memória de todos os que sofreram na pele os efeitos devastadores do fogo, perdendo tudo o que possuíam. “Com este acto a Cáritas volta a cumprir a sua vocação de solidariedade e de ajuda aos mais desfavorecidos”, refere um comunicado do organismo da Igreja católica para a solidariedade e a assistência. A cerimónia de bênção e entrega das casas será presidida por D. Manuel Neto Quintas, bispo do Algarve, e contará com as presenças do presidente da Câmara Municipal de Monchique, presidentes das Juntas de Freguesia do Concelho, presidente do Conselho de Administração da Rádio Renascença, direcção da Cáritas do Algarve, bem como de todo o pessoal que acompanhou a evolução dos trabalhos de recuperação. Estarão ainda presentes representantes da Recer e Secil, empresas que colaboraram nas reconstruções através de donativos em materiais. A cerimónia esteve marcada para 26 de Julho, mas nesses dias voltou a Monchique o pesadelo dos incêndios. Nessa altura, D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, explicava à Agência ECCLESIA que a cerimónia de bênção e entrega das casas prevista para hoje tinha como objectivo “provocar a sensibilidade das pessoas para a protecção dos bens e das gentes desta região”. Os últimos acontecimentos mostram que muito há ainda por fazer neste particular. A Diocese do Algarve movimentou-se de forma notável, em 2003, para dar auxílio aos que tinham perdido o que possuíam na vaga de incêndios. A mobilização deverá voltar a acontecer este ano, de acordo com o seu Bispo, que assegura que agora “é tempo de deixar uma palavra de esperança, de solidariedade, porque ninguém fica indiferente ao ver as imagens que nos entram porta adentro”. Os números da reconstrução A Cáritas Portuguesa recolheu 3,1 milhões de Euros, na campanha de solidariedade para apoiar a recuperação das zonas atingidas pelos incêndios florestais de 2003. A Campanha de Apoio às Vítimas dos Incêndios (CAVI) serviu, num primeiro momento, para prestar apoio de emergência a 559 pessoas (216 famílias): 35 famílias foram realojadas, em casas construídas de raiz ou recuperadas com a utilização das verbas recolhidas pela campanha. Os números da CAVI nas diversas dioceses são os seguintes: Portalegre e Castelo Branco Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 393.567,95€ Aplicação das verbas concedidas: Equipamento agrícola: 115.245,00€ Recuperação de 8 habitações: 88.950,94€ 194 Famílias apoiadas Algarve Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 320.000,00€ Aplicação das verbas concedidas: Recuperação de 9 habitações, abrangendo 9 famílias. Viseu Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 29.512,00€ Objectivo: Reconstrução de uma casa em Lezíria, Aguiar da Beira, onde viviam 2 pessoas. Santarém Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 180.578,75€ Aplicação das verbas concedidas: Ajuda de emergência a famílias desalojadas da Chamusca: 6.729,08€ Recuperação de 4 habitações onde viviam 13 pessoas: 168.442,82€ Reconstrução de equipamentos sociais: 16.745,68€ Total do apoio às famílias: 191.917,58€ Guarda Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 341.744,00€ Aplicação das verbas concedidas: Ajuda de emergência a 3 famílias: 55.675,00€ Recuperação de 7 habitações onde viviam 9 pessoas: 288.984,00€ Total do apoio às famílias: 341.744,00€ Leiria-Fátima Total da verba concedida pela Cáritas Portuguesa: 9.040,76€ Aplicação das verbas concedidas: Ajuda de emergência a 3 famílias: 977,89€ Recuperação de 4 habitações onde viviam 8 pessoas: 8.062,87€ Total do apoio às famílias: 9.040,76€ Se o trabalho da Cáritas foi a todos os títulos exemplar, a verdade é que a maior parte (cerca de 70 por cento) do dinheiro recolhido por campanhas de ajuda à reconstrução de casas ardidas nos fogos florestais de 2003 ainda não foi utilizada. Dos três milhões de Euros de donativos canalizados para a Comissão Nacional de Apoio Solidário às Vítimas dos Incêndios, apenas 900 mil Euros foram efectivamente pagos – segundo noticiou ontem a Rádio Renascença. Estas verbas resultam de várias campanhas de solidariedade lançadas por diferentes entidades e empresas, na sequência dos incêndios do Verão passado. Os fogos florestais de 2003 provocaram a morte de 21 pessoas, destruíram mais de uma centena de casas e arrasaram 420 mil hectares de matos e florestas. O dinheiro está a ser gerido centralmente pela Cruz Vermelha Portuguesa – uma das entidades que integram a Comissão Nacional de Apoio. As ajudas são dirigidas para a reconstrução de habitações permanentes que tenham sido totalmente destruídas pelas chamas. O primeiro levantamento apontava para 117 habitações nesta situação. Mas as candidaturas aos apoios da comissão só abrangem cerca de metade deste total. O dinheiro até agora efectivamente gasto foi aplicado na reconstrução de 32 habitações. Algumas câmaras já têm projectos aprovados, mas ainda não utilizaram os apoios. Outras ainda têm de completar alguns procedimentos burocráticos para obter a ajuda. As verbas estão a ser pagas à medida em que as obras avançam, na maior parte dos casos directamente aos empreiteiros. Depois dos fogos, muitas casas foram reconstruídas com apoios de outras campanhas de solidariedade, como a da Cáritas Portuguesa, que não foram integradas na gestão única da comissão nacional.
