Os líderes das comunidades católicas e luteranas na Terra Santa visitaram algumas das populações mais afectadas pela barreira de separação que o governo israelita está a construir na Cisjordânia. O Patriarca latino Michel Sabbah, o Pe. Mtanios Haddad, greco-católico, e o bispo luterano Munib Younan estiveram esta semana junto das comunidades de Tulkarem, Jayyous e Nablus, reunindo-se com delegações de cristãos e muçulmanos. Segundo os líderes cristãos, só na cidade de Tulkarem foram confiscados 17.500 hectares, “empurrando a taxa de desemprego para os 80%”. O Patriarca latino de Jerusalém, D. Michel Sabbah, acusou o governo de Israel de continuar a construir a barreira de separação na Cisjordânia, após ter visitado uma parte do seu traçado. “A construção desta obra é imoral e irracional”, disse o prelado. O Tribunal Internacional de Justiça exigiu o desmantelamento deste muro, no passado dia 9 de Julho, e a Assembleia Geral da ONU votou uma resolução onde se exigia que Israel respeitasse essa decisão, no dia 20 de Julho. Apesar disso, Israel anunciou que a obra será concluída em 2005, como previsto. Para o Patriarca Sabbah, “esta linha não trará mais segurança aos israelitas ou palestinianos, porque cria duas prisões”. O prelado classifica a construção como “um muro de destruição”, que anula qualquer hipóteses para o processo de paz. Uma das consequências para a comunidade cristã é que a Igreja de São Tiago dos Franciscanos, em Beit Hanina, zona norte de Jerusalém, onde vive a maioria da comunidade, poderá ficar separada dos seus fiéis. Segundo Pe. Feras Hejazin, jordano, o percurso do muro já foi traçado ao longo da estrada principal e os blocos de cimento estão alinhados. No entanto, mesmo que o muro não tenha sido ainda levantado, a separação já é uma realidade: na divisão, um lado da paróquia foi separada de toda a comunidade dos paroquianos. Para visitar os paroquianos o vice-pároco da igreja deve superar dois pontos de controlo militares. “Tenho de enfrentar uma longa fila e cansativa para esperar o controlo e a gente nem tem certeza de que vai conseguir passar. Quando ocorre um atentado, os check-points são fechados e ninguém pode atravessar a fronteira”, relata.
