Apoio destina-se às famílias desalojadas. Reconstrução e recuperação das habitações apenas espera a luz verde por parte das Câmaras Municipais para arrancar de imediato A Cáritas Portuguesa, organização católica para a assistência e a solidariedade, vai avançar para a reconstrução e recuperação das casas danificadas ou destruídas pelos incêndios das últimas semanas. A acção destina-se exclusivamente às famílias desalojadas e será financiada pelo remanescente da Campanha de Apoio às Vítimas dos Incêndios do verão de 2003, após terem sido entregues perto de 40 casas. Eugénio da Fonseca, presidente do organismo, tem recolhido informações sobre as zonas mais afectadas a partir das Cáritas Diocesanas do Algarve, Beja e Santarém. “Das informações que me chegaram, elas estão já a preparar-se, nomeadamente em Santarém, para que assim que seja possível se iniciar a reconstrução ou a reparação das casas”, refere à Agência ECCLESIA. A listagem das obras que a Cáritas poderá apoiar – ainda muito provisória, em função da proximidade temporal com os incêndios – inclui 2 casas em Santarém e outra em Monchique, estando a Cáritas Diocesana do Algarve em conversações com os municípios de São Brás de Alportel e Alomodôvar para aferir da necessidade de colaboração. A organização, aliás, partiu imediatamente para o terreno (ver notícia relacionada) em colaboração com os municípios, para dar uma resposta de emergência. “A intervenção tem sido a dos cuidados básicos das pessoas que ficaram desprovidas de habitação e vestuário”, diz Eugénio da Fonseca. Em 2003, a Cáritas Portuguesa recolheu 3,1 milhões de Euros, na campanha de solidariedade para apoiar a recuperação das zonas atingidas pelos incêndios florestais. Já aplicou 2.811.619,66 Euros, num total de 29 casas construídas de raiz, 10 sujeitas a pequenas intervenções, equipamentos sociais e reconversão de postos de trabalho. A recente vaga de incêndios faz com que a Cáritas abandonasse a intenção de avançar para uma 3ª fase e 4ª fase da campanha “Renascença-Cáritas ajuda Portugal”, relacionadas com a recuperação de equipamentos públicos e criação de novos empregos. “Agora é prioritário dar casa às pessoas que foram atingidas. Se o dinheiro não nos chegar, voltaremos a bater à porta do coração dos portugueses”, assegura o presidente da Cáritas. A prioridade, nestes casos, significa “para ontem” e nesse sentido Eugénio da Fonseca aponta que “nós estamos disponíveis para avançar já, disponibilizando os fundos”. Este responsável reconhece que tem de esperar até que as Câmaras Municipais verifiquem se são necessários projectos ou reforços de infra-estruturas. “Assim que os municípios nos disserem que há condições para avançar com o financiamento, avançaremos logo”, sublinha. A acção da Cáritas não inclui obras de recuperação de segundas habitações ou herdades. Para Eugénio da Fonseca, “estas pessoas têm direito a serem ressarcidas nos seus prejuízos, mas é o Governo que tem de assumir isso”. E finaliza: “não iremos colocar o dinheiro da solidariedade dos portugueses para os seus concidadãos mais pobres a funcionar naquilo que são competências específicas do Estado”. Notícias relacionadas • A Igreja está no terreno para auxiliar as vítimas dos incêndios
