A Santa Sé publicou, neste sábado, uma “Carta aos Bispos da Igreja Católica, sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo”, onde se critica o feminismo radical e se lembra a importância das mulheres na vida da Igreja. O documento de 37 páginas foi distribuído em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol e português, abordando a antropologia cristã que propõe a igualdade de dignidade pessoal entre o homem e a mulher, no respeito de sua diversidade, e a necessidade de superar e eliminar qualquer discriminação. Este texto, redigido pela Congregação para a Doutrina da Fé, cujo prefeito é o cardeal Joseph Ratzinger, conta com a aprovação de João Paulo II. A Carta mostra a oposição da Igreja à “ideologia de género”, cujo objectivo é superar um suposto determinismo biológico. Esta corrente pretende libertar da escravidão que impunha a orientação sexual fazendo do género uma simples opção pessoal e justificando assim, por exemplo, o matrimónio homossexual. Nesse sentido, foi dada uma atenção particular à tendência do feminismo radical, nos EUA, cuja porta-voz é Judith Butler. “A mulher, para ser ela própria, porta-se como rival do homem. Aos abusos do poder, responde com uma estratégia de busca do poder e esse processo conduz a uma rivalidade entre os sexos”, atira a Santa Sé. No documento é criticada “a tendência para sublinhar fortemente a condição de subordinação da mulher, com vista a suscitar uma atitude de contestação”. “A ocultação da diferença ou da dualidade de sexos tem consequências enormes a diversos níveis”, afirma-se nesta carta aos bispos. A Santa Sé insiste no “papel insubstituível da mulher a todos os níveis da vida familiar e social”. Para contrariar a acção dos movimentos que encorajam a luta dos sexos, insiste-se na necessidade da “presença das mulheres no mundo do trabalho e nas instância da sociedade”. “É necessário que as mulheres tenham acesso a postos de responsabilidade que lhes dêem a possibilidade de inspirarem os políticos e de promoverem soluções novas para os problemas económicos e sociais”, refere o documento. Entre as recomendações da Congregação para a Doutrina da Fé está uma promoção das mulheres na vida pública e social, o reconhecimento social e económico do papel de mãe e o reconhecimento da mulher dentro da Igreja. “As mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial, lembrando essas disposições a todos os baptizados e contribuindo de maneira ímpar para manifestar o verdadeiro rosto da Igreja, esposa de Cristo e mãe dos crentes”, pode ler-se. A Congregação para a Doutrina da Fé relembra que a ordenação sacerdotal é exclusivamente reservada aos homens, mas assegura que isso “não impede às mulheres de terem acesso ao coração da vida cristã”. Notícias relacionadas • Carta aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo
