D. Gabriel Mbilingi destaca ação de proximidade das instituições católicas em clima de paz
Luanda, 08 jan 2015 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST) afirmou que as relações com o Estado são ainda um desafio para a Igreja Católica, apesar do fim da guerra no país lusófono.
“Continuo a dizer que as relações com o Estado são boas, mas deixam ainda bastante a desejar no respeito pelas liberdades”, refere D. Gabriel Mbilingi em entrevista ao padre António Neves, da ‘MissãoPress’, que congrega as publicações missionárias em Portugal.
No campo das liberdades, o presidente da CEAST destaca a ausência de liberdade de expressão/imprensa em concreto da Rádio Ecclesia, que está limitada à cidade de Luanda.
Segundo o prelado, a “desculpa” do Governo é “esfarrapada” porque surgiu um canal de televisão, várias rádios e periódicos escritos com abrangência maior e a emissora católica “é a única sem autorização”.
“O presidente da República insiste que a Igreja tem de ajudar no resgate dos valores morais, mas se nos corta as asas esta ideia não passa disso”, observa o arcebispo do Huambo.
D. Gabriel Mbilingi acrescenta que mesmo circunscrita a rádio da Igreja angolana tem “transformado um pouco o ambiente” e criado espaços nos “debates, na denúncia” e também na “formação”.
“Queremos trabalhar pelo bem do povo angolano aprofundando as parcerias com o Estado que nos considera a melhor parceira mas deixa-nos sem possibilidade de trabalhar”, frisa o responsável religioso.
Angola vive em clima de paz há treze anos, deste que foi assinado o cessar-fogo, e apesar de “algumas tensões” existe a alegria de não se ouvirem “mais disparos” mas para o entrevistado na política ainda “há um caminho muito longo” para a democracia.
O arcebispo revela que a pastoral é “sempre mais delicada” uma vez que devem apostar numa “pastoral direta” com uma evangelização de “profundidade” e conseguir que “as mazelas da guerra sejam colmatadas”.
Neste campo, explica que a CEAST aposta na escolha de temas trienais, e no segundo ano sobre evangelização vão dedicar-se ao laicado, “a reavivar a fé dos leigos”, e em 2016 centram-se na comunidade local, na paróquia como “centro de evangelização”.
O objetivo da Igreja em Angola é centrar-se no “grande” tema da evangelização da família que é “muito caro aos angolanos”.
“Nós estamos a ver que a família está a ser mais atacada por novas ideologias que destroem o conceito tradicional e cristão”, desenvolveu o arcebispo.
A juventude que ruma de áreas rurais para a cidade, “com destaque para Luanda”, é outra preocupação “muito particular” porque “muitos não” têm estudos e tornam-se “presas fáceis” de manipulação.
“Os jovens não são o futuro, são o presente”, frisa D. que reconhece que hoje “não se aproximam da Igreja”.
Nos últimos anos, Angola é um país de acolhimento de migrantes de países vizinhos ou Portugal, Brasil e China, entre outros, que estão ”muito afastados da Igreja”.
“Os migrantes estão mais ligados ao trabalho das empresas do que à prática cristã”, comenta D. Gabriel Mbilingi que por exemplo encarregou os missionários claretianos no Lubango de acompanhar especialmente os portugueses: “Não tem sido fácil.”
O presidente da CEAST informa que estão a “tentar implementar a pastoral da migração” e até já pediram às autoridades espaços nos aeroportos “para rezar”.
MP/CB