Dia 6 de Julho, na Universidade Católica Portuguesa “A construção de Jesus – uma leitura narrativa de Lc. 7, 36-50” é o tema da tese de doutoramento do Pe. Tolentino Mendonça que a defenderá, no próximo dia 6 de Julho, na Universidade Católica Portuguesa (UCP). Com orientação do jesuíta Jean-Noel Aletti, o trabalho deste padre da diocese do Funchal aprofunda o texto deste evangelista. A sessão de defesa decorrerá na UCP, em cuja Faculdade de Teologia o Pe. José Tolentino Mendonça é professor. Natural da Madeira (nasceu no Machico, em 1965), Tolentino Mendonça estudou no Seminário diocesano do Funchal e na Universidade Católica, em Lisboa, e foi ordenado sacerdote em Julho de 1990, por D. Teodoro de Faria. Prosseguiu os estudos superiores em Roma, tendo desempenhado ainda o cargo de Reitor do Pontifício Colégio Português. Actualmente, é secretário da Comissão Episcopal para a Cultura, presidida por D. Manuel Clemente. Poeta e tradutor Poeta de eleição, José Tolentino Mendonça tem vários títulos publicados. Além dos livros de poemas (“Os Dias Contados”, 1990; “Longe Não Sabia”, 1997; “A que Distância Deixaste o Coração”, 1998) e do ensaio “As Estratégias do Desejo: Um Discurso Bíblico sobre a Sexualidade” (1994), “Baldios”,(1999) Tolentino Mendonça é autor de uma elogiada tradução do “Cântico dos Cânticos” (1997) e de “Salmos”, entre outros títulos. Numa entrevista à “Folha de S. Paulo”, por ocasião da 9.ª Bienal do Livro, e a propósito das características da poesia da nova geração de poetas portugueses, Tolentino Mendonça considerou que: ”há um tom de melancolia que dá conta de um desconforto interior muito grande. Outro dia, um jovem poeta disse-me que os versos dele eram mais católicos do que os meus, porque eu nunca falava de Deus. O que eu trago à poesia portuguesa é isso: esse sentido da falta.” Vocação Sacerdote e poeta, uma vocação “radical” em sintonia com o sentido mais profundo da vida, explicou Tolentino Mendonça nessa entrevista: “ O Rilke diz que o poeta é o sacerdote das coisas, quem estabelece essa relação sagrada de cada coisa com o seu sentido. Sou padre para sentir que há uma religação, que as coisas ainda podem estar ligadas.” “É um acto único. Não poderia ser padre sem ser poeta e não poderia ser poeta sem ser padre. É uma radicalidade.” Bíblia e outros poetas Tolentino Mendonça elege a Bíblia como o seu principal livro de leitura, mas considera também outros poetas da profundidade: “Leio alguns livros da Bíblia: Isaías, Lucas, alguns textos de Paulo, o Livro de Jó, o Eclesiastes. O Pasolini ensinou que a poesia é a arte de resistir ao seu tempo, um manual de inquietações. Na poesia portuguesa, é impossível fugir às armadilhas do Pessoa, mas há poetas mais próximos de mim, como o Herberto Helder, o Ruy Belo.” Poema “A casa onde às vezes regresso é tão distante da que deixei pela manhã no mundo a água tomou o lugar de tudo reúno baldes, estes vasos guardados mas chove sem parar há muitos anos Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai uma viagem se deu entre as mãos e o furor uma viagem se deu: a noite abate-se fechada sobre o corpo Tivesse ainda tempo e entregava-te o coração” in “A Que Distância Deixaste o Coração”
