João Paulo II apela à purificação da memória entre Católicos e Ortodoxos

Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, recebido no Vaticano João Paulo II recebeu esta manhã no Vaticano o Patriarca Ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, tendo pedido que as duas Igrejas sejam capazes de reconciliar-se com o seu passado e caminhar para a unidade. “Rezemos juntos para que o Senhor da história purifique a nossa memória de todos os preconceitos e ressentimentos, e nos permita avançar livremente na estrada da unidade”, pediu o Papa, que recordou a cruzada de 1204, em que o exército que se dirigia para a Terra Santa tomou e saqueou Constantinopla. O discurso, emocionado, começou com a recordação do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, há quarenta anos, em Jerusalém. “Quão providencial foi para a vida da Igreja esse encontro, corajoso e alegre ao mesmo tempo! Ao redescobrir-se como irmãos, sentiram uma profunda alegria, que os levou a retomar com confiança as relações entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla”, disse o Papa a Bartolomeu I, sobre os seus predecessores. Em Novembro de 1964 o II Concílio do Vaticano aprovava o decreto “Unitatis redintegratio”, onde se afirma que a promoção da unidade entre todos os cristãos “é um dos principais objectivos do Concílio, e que a favor dela devem orientar-se os esforços das instituições e das comunidades eclesiais”. (Cf. nº 1 e nº 18). Para João Paulo II, ao longo dos últimos 40 anos, as duas Igrejas viveram encontros importantes, “que favoreceram o espírito da nossa recíproca reconciliação”. Nesse sentido, vincou a necessidade de se avançar no diálogo teológico, através da Comissão mista, que considerou “um instrumento importante”, a ser reactivado quanto antes. A visita de Bartolomeu I, por ocasião da festa litúrgica de São Pedro e São Paulo, comemora o histórico encontro entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I (Jerusalém, Janeiro de 1964), depois do cisma que tinha acontecido novecentos anos antes. O Patriarca, que já visitou o Papa em 1995, chegou esta segunda-feira a Roma e foi recebido, entre outros, pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e pelo arcebispo Leonardo Sandri, substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado. Hoje à tarde, conforme referiu João Paulo na oração matutina do Angelus, Bartolomeu I participará na celebração Eucarística a que o Papa preside na Praça de São Pedro. Juntos proferirão a homilia e proclamarão a profissão de fé comum. Aos peregrinos, João Paulo II recordou que a festa litúrgica de São Pedro e São Paulo, martirizados em Roma, fez desta cidade “a Sé Apostólica, que preside à missão universal da Igreja de difundir no mundo o Evangelho de Cristo”.

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