O Algarve é uma realidade única no país

Depois de 4 anos como bispo auxiliar do Algarve, D. Manuel Quintas tomará posse como titular no próximo Domingo. Em entrevista à Agência ECCLESIA fala da realidade algarvia Agência ECCLESIA – Depois de 4 anos como bispo auxiliar, no próximo Domingo passará a bispo titular do Algarve. A experiência acumulada neste território eclesial é uma vantagem porque não parte do zero? D. Manuel Neto Quintas – É verdade. Facilita bastante ter conhecimentos da diocese. Apesar disso verifico que ainda preciso de conhecer mais para poder servir melhor. Conheço a diocese do ponto de vista geográfico e a realidade das comunidades cristãs, particularmente aquelas que me desloquei nas visitas pastorais. Dá-nos uma visão ampla de cada comunidade. AE – Que impressão ficou do seu rebanho nas visitas pastorais realizadas? MQ – A presença do bispo nestas comunidades cristãs é sempre gratificante para elas. É sempre sinal de festa e de alegria e, ao mesmo tempo, vêem na pessoa do bispo um estimulo e um convite a viverem com maior fidelidade a própria fé. AE – A sua diocese é uma realidade de contrastes. A serra e o mar dominam os horizontes. MQ – Quase que temos aqui o Portugal todo. Enquanto algumas dioceses têm predominantemente o litoral e outras o interior, a diocese do Algarve pode dizer que tem tudo. O Algarve é uma realidade única no país. Os contrastes são enormes a todos os níveis: estilo de vida, como as pessoas participam na vida da Igreja e as próprias limitações. Apesar destas dificuldades, noto que as autoridades do poder local vão ao encontro destas necessidades das pessoas do interior. AE – Essa barreira natural que é serra separa muito as pessoas? MQ – Não separa muito mas é curioso que, ainda hoje, algumas pessoas quando vêm ao litoral dizem «vou ao Algarve». Antes as deslocações eram difíceis mas, hoje, é bem mais fácil. As infra-estruturas criadas e as estradas facilitam muito a deslocação do barlavento ao sotavento e do interior ao litoral. De Faro para as paróquias mais distantes o máximo que gastamos é uma hora e meia. AE – Apesar dos contrastes, a diocese algarvia está em permanente mobilidade humana, especialmente nos meses de Verão. MQ – Os meses de Verão são únicos. Não é fácil encontrar respostas, do ponto de pastoral, para esta grande «avalanche» que nos procura nas férias para retemperar as forças. Os párocos não têm muita capacidade de resposta porque, nessa altura, as forças mais vivas das paróquias procuram empregar-se. O emprego sazonal que, muitas vezes, as pessoas recorrem. AE – Nesses meses dão um certo destaque à Pastoral do Turismo? MQ – Sim. As pessoas que vêm passar férias nem sempre estão despertas para o religioso mas temos também, aqueles que vivem de forma mais consciente a sua fé, os que não dispensam a Eucaristia Dominical. Neste ponto a diocese e os párocos empenham-se e multiplicam-se até nos esforços. Para além da Eucaristia Dominical e do acolhimento não há muito mais exigências. O passar de 400 mil para um milhão e duzentos mil não é fácil encontrar respostas necessárias. AE – No próximo Domingo tomará as rédeas à diocese. Qual o lema a aplicar neste território? MQ – A diocese já tem um programa próprio. Neste triénio temos o lema “Ser comunidade ministerial, dominical e missionária para evangelizar”. Para o próximo ano colocaremos em destaque a dimensão dominical, ligada à Eucaristia, porque será o Ano Eucarístico. Uma proposta de João Paulo II que vai desde o Congresso Eucarístico até à realização do Sínodo dos Bispos. Ligado a este tema vamos também acentuar a dimensão vocacional. A diocese não pára. AE – Sendo presidente da Comissão Episcopal para as Missões irá colocar também a tónica missionária em acção? MQ – Esta é a preocupação de todos os bispos e de todos os cristãos. A dimensão missionária da Igreja é essencial. Vamos olhar para o futuro com optimismo, com alegria e muita esperança.

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