Portugal não parece ter aprendido com as lições da emigração e não as aplica à recente vaga de imigração que fez do nosso país um local de acolhimento de cidadãos de diversos pontos do globo. O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) organizou no passado dia 23 de Junho um workshop dedicado ao tema “Discurso oficial do Estado face à emigração nas décadas de 60 a 80 e à imigração desde a década de 90 até à actualidade”, estudo da responsabilidade da investigadora Vanda Santos. O estudo preliminar revela que o aparecimento de políticas consertadas em matéria de migrações surge com algum desfasamento no tempo. Ao mesmo tempo, apontam-se algumas semelhanças entre o discurso oficial do estado face à emigração e imigração: nos anos 60 o Estado aplica medidas coercivas em matéria de emigração clandestina, o mesmo acontecendo nos 90 em matéria de imigração. No texto pode ler-se que “o Estado tende a restringir a imigração e, nos últimos anos, a criminalizar a imigração clandestina, como aconteceu nos anos 60 e até à restauração da democracia, com a emigração”. Participaram no workshop como comentadores do estudo José Lello, deputado e ex-Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Rui Pena Pires, investigador e professor universitário, e Mafalda Durão Ferreira, sub-directora geral da Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas.
