Bispos norte-americanos pedem «exame de consciência» aos políticos que apoiam o aborto

Os bispos católicos dos Estados Unidos da América publicaram uma declaração na qual pedem aos políticos que defendam com seu trabalho legislativo os não-nascidos, para que estes não se tornem vítimas do aborto. Do contrário, reconhece o comunicado episcopal, “são culpados de cooperar no mal e de pecar contra o bem comum”, pelo que se pede que também antes de comungar examinem a sua consciência diante desta dimensão do seu compromisso político. A declaração “Católicos na política” foi adoptada por 183 votos favoráveis e 6 contra pela Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB). Os mais de 250 bispos norte-americanos estiveram reunidos em Denver, até ao passado sábado, para o seu tradicional retiro da Primavera. Os legisladores estão obrigados em consciência, reconheceram os prelados na declaração emitida ao concluir o encontro, “a trabalhar para corrigir leis deficientes desde o ponto de vista moral”. “Os políticos católicos que constantemente apoiam o aborto convertem-se em cooperadores no mal de maneira pública”, assinala a declaração. A discussão sobre a administração ou não dos Sacramentos a políticos que se manifestem publicamente contra as orientações da Igreja Católica está a agitar os EUA e o Vaticano. O próprio Cardeal Joseph Ratzinger manifestou o seu apoio aos Bispos norte-americanos que negaram a Comunhão a pessoas com posições contrárias às da Igreja. O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé terá mesmo enviado uma carta oficial à Conferência Episcopal dos EUA, onde se sugere que as pessoas que “vivam gravemente em pecado” ou que “rejeitem a doutrina da Igreja”, se abstenham de comungar. A discussão ganhou um maior relevo com a candidatura às presidenciais do democrata John Kerry, católico, mas favorável ao aborto. Os mais conservadores dos 275 Bispos norte-americanos, como D. Raymond L. Burke, arcebispo de Saint Louis, e D. Charles J. Chaput, arcebispo de Denver, manifestaram-se recentemente contra aqueles que dão a Comunhão a pessoas com posições públicas contrárias ao ensinamento da Igreja Católica. O argumento destas posições é o de que a Igreja tem o direito de ser ouvida na opinião pública, sempre que estejam em questão assuntos morais importantes. Temas como o aborto são assim definidos, em primeiro lugar, como matérias religiosas, internas à vida da Igreja. Reconhecendo que “os bispos podem chegar a juízos diferentes sobre a acção pastoral considerada como mais prudente”, a USCCB decidiu neste fim-de-semana voltar a assinalar “o seu inequívoco compromisso de proteger a vida e a dignidade humana”.

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