O jornal da Santa Sé, “L’Osservatore Romano”, saúda na sua edição de hoje a ratificação, por parte de 150 países, da Convenção Internacional contra o Trabalho Infantil. Esta convenção, declara o jornal, “poderia ser a primeira a alcançar a meta de uma ratificação universal por parte dos 177 países que fazem parte da Organização Internacional do Trabalho(OIT)”. Com a adesão de Quirguistão, anunciada em Genebra na passada segunda-feira, a Convenção 182, adoptada por unanimidade em 1999, alcançou 150 ratificações. “Nenhuma convenção da OT tinha sido ratificada por tantos países em tão pouco tempo”, acrescenta L’Osservatore Romano. A Convenção oferece uma base legal para a acção nacional contra as formas mais violentas de trabalho infantil, em particular contra as que afectam a saúde física ou psicológica dos menores. Também combate actividades ilegais como a prostituição, a pornografia ou o tráfico de drogas. O trabalho infantil afecta 352 milhões crianças em todo o mundo e destas 171 milhões (55 por cento) desempenham actividades perigosas. A OIT estima 211 milhões dos menores que trabalham tenham entre cinco e 14 anos. 5,7 milhões de menores são escravizados e obrigados a trabalhos forçados, 300 mil recrutados para conflitos armados e 1,8 milhões usados na prostituição ou na reprodução de material pornográfico. De acordo com um estudo realizado em 2001, em Portugal 4,2 por cento dos menores trabalha, ou seja, aproximadamente 47 mil crianças.
