Denunciou D. António Marcelino, na apresentação da Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais A propósito do XXXVIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra no próximo dia 23 de Maio, o Bispo de Aveiro convocou uma conferência de imprensa para dar a conhecer a Mensagem do Papa a este respeito (Os Mass Media na Família: Um Risco e Uma Riqueza). Subordinada à temática da família (2004 é o Ano Internacional da Família), esta Mensagem deu o mote a uma conversa do prelado aveirense com os jornalistas presentes, no passado dia 14 de Maio. Ao comentar a importância da Comunicação Social no seio das famílias, D. António Marcelino vincou a necessidade de capacitar pais e educadores para a análise crítica dos mass media. Nesse sentido, e referindo-se sobretudo à televisão, denunciou uma programação sensacionalista que procura audiências, não se regendo pelo respeito do outro. A este propósito, considerou que a Igreja desempenha um papel educativo importante. Tem de se educar para o discernimento analítico, institucionalizando a formação a nível da Igreja. Se a Comunicação Social é, ou pode ser, um Risco por falta de enquadramento educativo e familiar, ela reveste-se de uma grande Riqueza na transmissão da informação e da formação. Todavia, aos pais e educadores é pedida a tarefa de, em conversa sistemática com os seus educandos, analisarem o que vêem e ouvem. Sabe-se que a atitude passiva que a maior parte dos meios de comunicação gera no público tem consequências nefastas, quer na formação da personalidade, quer no relacionamento social. Por isso, será preciso que, nomeadamente a televisão, não seja usada segundo os humores familiares (“Queremos descansar, deixamos os miúdos ver o que lhes apetece.”), mas sim seja utilizada na sua Riqueza. Assim, os educadores deverão consciencializar-se, primeiro a si próprios, dos critérios que devem reger as suas escolhas de programas e imprensa escrita, seguindo-se um trabalho de educação de crianças e jovens para o fenómeno da Comunicação Social. “Porque — denunciou António Marcelino — muitos programas são desequilibrantes”, pois não educam para o crescimento harmónio de cada um, pendendo sobretudo para uma afectividade superficial. E é preciso ensinar a gostar de programas que se pautam por critérios de seriedade e coerência. Mesmo com valores diferentes, todos os jornalistas deverão orientar-se por uma atitude ética de respeito pela pessoa humana. “É preciso saber onde parar” quando se explora determinada notícia, sublinhou o Bispo de Aveiro. Focando a Comunicação Social de inspiração cristã, a esta está reservado o mesmo grande objectivo que à Comunicação Social em geral: informar, formar e instruir, respeitando e formando a sociedade. Afinal, “nós somos comunicação.”
