Apelo às autoridades internacionais assinado ontem em Roma, num Congresso da Comunidade de Santo Egídio 13 Ministros da Saúde africanos assinaram ontem, 13 de maio, um Apelo dirigido aos responsáveis das maiores potências mundiais, pedindo iniciativas urgentes para a luta contra a SIDA na África. O documento foi assinado numa Conferência Internacional realizada em Roma, de 12 a 13 deste mês, promovidapela comunidade católica de Santo Egídio. “A SIDA ameaça silenciosamente a África e grande parte do mundo. O combate e a vitória sobre a SIDA são prioridades inadiáveis: por isso, os Ministros da Saúde, especialistas, e todos os que participaram do encontro destes dias em Roma se dirigem às agências competentes e autoridades responsáveis, pedindo urgência”, pode ler-se no apelo. A doença atinge todo o planeta, mas 70% das vítimas de hoje nascem e morrem na África: 30 milhões de homens, mulheres e crianças estão infectados pelo HIV. Segundo os responsáveis que assinam este texto, “o número está destinado a crescer, se os recursos científicos, financeiros e humanos não combinarem prevenção e terapia”. “Os esforços até hoje demonstram que a prevenção, sem terapia, não é suficiente para deter a epidemia”, assinalam os ministros da saúde da Costa do Marfim, Congo, Etiópia, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Libéria, Malawi, Moçambique, República Centro-africana, Senegal, Sudão, Tanzânia e Togo. Neste ponto, o que está em questão é o acesso aos medicamentos retrovirais, pedindo-se que o seu custo seja reduzido “até serem compatíveis com os recursos – escassos – dos nossos países”. “A SIDA multiplica a pobreza. Não só humilha e reduz a vida, mas fecha as portas à esperança e ao futuro. A terapia que permite a convivência com o vírus, de modo aceitável, existe, mas só no mundo rico, e o direito à vida não pode depender da geografia”, acusam os signatários do apelo. Este tema esteve em destaque no Vaticano, no passado mês de Janeiro, quando a Igreja Católica levantou a sua voz contra a indústria farmacêutica mundial, acusando-a de “genocídio” em relação aos doentes de SIDA que vivem nos países pobres. Durante a apresentação da mensagem para a Quaresma de 2004, de João Paulo II, representantes do Vaticano exigiram que a comunidade internacional pressione as indústrias farmacêuticas, de modo a obter uma baixa significativa no preço dos medicamentos. “A cada dia, pelo menos 400 pessoas morrem no Quénia, por causa da SIDA. Esta é uma acção genocida do cartel das empresas farmacêuticas, que recusam tornar acessíveis os medicamentos, ao mesmo tempo que declaram lucros de 517 mil milhões de dólares em 2002”, referiu o Pe. Angelo D’Agostino, fundador de um centro dedicado a crianças infectadas pelo HIV (dois milhões e meio, em todo o mundo) , o “Nyumbani”, no Quénia. O sonho de Santo Egídio A luta contra a SIDA levou a Roma representantes de vários países africanos para debaterm o projecto DREAM, da Comunidade de Santo Egídio, considerado um modelo na luta contra esta pandemia. O programa é o DREAM (Drug Resource Enhancement against Aids and Malnutrition), um trabalho contra a SIDA, foi inaugurado há dois anos atrás pela comunidade de Santo Egídio em Moçambique e que está a estender-se a outros sete países africanos (Malawi, Angola, Nigéria, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, África do Sul, Suazilândia). O projecto obteve os melhores resultados até agora na África sub-Saariana: 97% das crianças nascidas de mães seropositivas resultaram imunes ao vírus HIV. Além disso, nove em cada adultos curados com a triterapia, coadjuvada por um adequado regime nutritivo, vivem bem e levam uma existência normal. DREAM é um projecto oferecido de forma totalmente gratuita. Dos 70.000 pacientes tratados com retrovirais, 7.000 gozam da cobertura oferecida pelo programa da comunidade de Santo Egídio em Moçambique, e quase 4.000 são seguidos pelo regime terapêutico.
