Cardeal Martino defende soluções de paz para os conflitos internacionais

D. Renato Martino, que esteve 16 anos na ONU, está agora à frente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Antes de presidir à Peregrinação de 12 e 13 de Maio,em Fátima, falou à Ecclesia da experiência na ONU e do mundo actual D. Renato Martino, que esteve 16 anos na ONU, está agora à frente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Antes de presidir à Peregrinação de 12 e 13 de Maio,em Fátima, falou à Ecclesia da experiência na ONU e do mundo actual Ecclesia – Que significado teve a sua missão nas Nações Unidas? Cardeal Renato Martino – Foi uma experiência inolvidável. Muito profunda, especialmente pelo período que passei: 1986 até 2002. Pude testemunhar a queda do muro de Berlim. Nas Nações Unidas, os acontecimentos internacional sentem-se muito. E – Em que mundo vivemos? RM – Um mundo bom e mau…! Porque há tanta gente boa, mas também tantos egoísmos, tantos ódios que, até agora, não se podem extirpar. O que eu fiz, como a Santa Sé faz sempre, é promover a paz, a vida e proteger a família. E – Esses são valores ameaçados nas sociedades actuais? RM – Especialmente nessa velha Europa, onde o materialismo prático fez esquecer muitas dessas verdades que são o princípio e o fundamento de toda a Europa. O individualismo acentuado aceita moralmente tudo o que é bom para mim… mas isso não é assim! Conduz a relativismo moral que não faz muito sentido. E – A sua experiência de contacto com todos os países que têm acento nas Nações Unidas, dá outra dimensão ao trabalho que actualmente desenvolve no Conselho Pontifício Justiça e Paz? RM – Absolutamente. Eu pergunto-me muitas vezes: como faria o que estou a fazer agora no sem toda a experiência que adquiri em Nova Iorque, nas Nações Unidas. Foi muito importante. Estamos, agora, a preparar, para publicação antes do final de Junho, um compêndio da Doutrina Social da Igreja. É um livro em preparação há 5 anos. O Papa pediu-nos para fazer esse documento para divulgar a Doutrina Social da Igreja, reunindo todos os documentos e as encíclicas dos papas que abordam temas sociais. E – Com que objectivo se prepara essa publicação? RM – O propósito é fazer conhecer a doutrina social a quem não a conhece. Divulgar. Evangelizar, porque quando se diz que temos que ajudar os pobres, no desenvolvimento da gente, isso é pura evangelização, porque o fundamento é o amor. Sem amar o próximo, ao meu irmão e minha irmã, não somos cristãos. E – Trata-se de promover a justiça e a paz: duas palavras esquecidas no mundo de hoje? RM – Por isso eu digo muitas vezes que o meu ministério no Vaticano é escatológico: só quando Jesus voltar novamente, poderemos ter a justiça e paz verdadeiramente. Mas isso não nos pode desanimar: cada um de nós tem de contribuir para que a justiça e a paz aconteça! E – Que leitura faz do momento presente, marcado por sucessivos atentados e incursões bélicas? RM – Afirmo que temos que trabalhar todos para a paz. Não devemos esperar que outros façam a paz, antes começamos nós, nós mesmos, a trabalhar pela paz na nossa família, na nossa sociedade, na nossa cidade e fazer gestos de paz. Vamos tentar isso! Porque não faz um gesto de paz: para o seu vizinho, a gente que nos é antipática… (cada um de nós sabe o gesto de paz que pode fazer) Comecemos agora! E – Está em Portugal para presidir às celebrações da Peregrinação Internacional Aniversário de 12 e 13 de Maio. Que mensagem comunicará aos peregrinos? RM – Exactamente a mensagem de paz e amor. Hoje à noite decorrerá a procissão eucarística: o centro da nossa religião é a Eucaristia, que é um sacramento de amor, porque Jesus nos deu o seu corpo, a sua alma para ficar connosco sempre. Esse é um dom de amor. No dia 13 de Maio vamos celebrar outro amor, o de Nossa Senhora, de Maria Santíssima, enquanto testemunha desse grande amor de Jesus. E – Estará em Fátima como peregrino? RM – Sempre! Quando visitei Fátima outras ocasiões, nunca poderia imaginar que o Bispo de Leiria-Fátima me convidaria para uma cerimónia como esta. Por isso estou muito grato dessa grade honra que meu deu D. Serafim Ferreira e Silva. É uma graça de Deus!

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