Petição popular chega às mãos da presidência irlandesa da UE. 75 mil portugueses juntaram-se à iniciativa Mais de um milhão de assinaturas, apelando a uma referência ao legado judaico-cristão no preâmbulo do futuro Tratado Constitucional da União Europeia, foram entregues à presidência irlandesa da UE. Nos últimos dias, o movimento em torno da petição popular lançada em Outubro passado chegou ao número de 1.066.258, entre as quais se incluem 75 mil assinaturas portuguesas. Este resulatod foi comunicado à presidência irlandesa numa conferência de imprensa que teve ontem lugar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. A iniciativa partiu dos deputados ao Parlamento Europeu Elizabeth Montfort (França), Elmar Brok e Peter Liese (Alemanha), Ari Vatanen (Finlândia), Alojz Peterle (Eslovénia), Bogdan Adam Klich (Polónia), Mario de Marco (Malta) e o português José Ribeiro e Castro. As assinaturas – incluindo também as que foram enviadas por numerosas associações, movimentos, confederações e outras ONG’s, em representação dos seus cerca de 55 milhões de membros – serão igualmente entregues na comissão das petições do Parlamento Europeu, para tratamento nos termos regimentais. Na intervenção inicial da conferência de imprensa em Estrasburgo, a deputada francesa Elizabeth Montfort dirigiu-se ao Ministro Irlandês dos Assuntos Europeus, Dick Roche, com que o grupo se encontrara pessoalmente ao fim da manhã, solicitando que às seis prioridades enunciadas pela Presidência do Conselho para o projecto de Tratado Constitucional seja igualmente adicionado o reconhecimento expresso do legado do Cristianismo. Elizabeth Montfort recordou ainda que, “no quadro do princípio da democracia participativa, o projecto de tratado constitucional prevê, no artigo seu 46.º, a apresentação de propostas pela Comissão Europeia motivadas pela iniciativa de pelo menos um milhão de cidadãos da União, oriundos de um número significativo de Estados-Membros”. O deputadoJosé Ribeiro e Castro sublinhou na sua intervenção que a luta pela inclusão do cristianismo no preâmbulo do Tratado Constitucional “não visa excluir ninguém, mas evitar que o Cristianismo, enquanto património fundador inequívoco da tradição e da matriz europeia, fosse excluído. “Não queremos apagar nada. Queremos não ser apagados”, assegurou. Ainda a este respeito, o deputado democrata-cristão referiu que omitir o legado do Cristianismo no preâmbulo do Tratado Constitucional seria torná-lo vazio para a maioria dos cidadãos europeus. O alemão Elmar Brok, presidente da comissão parlamentar dos Assuntos Externos e dos Direitos Humanos (AFET) e um dos dois representantes do Parlamento Europeu na Conferência Inter-governamental, recordou que o Cristianismo “está na base do reconhecimento dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana”. Referindo-se ao diálogo com o mundo islâmico, insistiu na importância da menção dos valores da nossa civilização no posicionamento dos debates em curso e, sobretudo, “no contributo para a paz”.
