Assembleia da Conferência Episcopal Espanhola arrancou ontem, reunindo cerca de 70 prelados Os bispos espanhóis encontram-se reunidos até à próxima sexta-feira, para passar em revista a actualidade espanhola, com especial destque para as opções do novo Governo de Zapatero no que diz respeito ao aborto, às uniões homossexuais e à disciplina de Religião nas escolas públicas. O presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), o Cardeal Rouco Varela, deu início a este encontro de cerca de 70 Bispos, com um discurso onde mostrou a sua preocupação pelas decisões anunciadas por Zapatero. O Cardeal Rouco Varela ressaltou a “triste realidade do modo de vida” espanhol que, segundo o próprio, “se afasta consciente e decididamente da fé cristã”. Atendendo a esta situação, o prelado assegurou que “a missão da Igreja é hoje de uma grande relevância, mesmo que não seja fácil”. O responsável quis deixar claro que, no que diz respeito ás relações com o Estado, a Igreja respeita a autoridade legítima e garantiu “a colaboração específica em ordem à prossecução do bem comum”. Ainda assim, o cardeal vincou que o aborto, as uniões homossexuais e a disciplina de Religião nas escolas públicas são temas que preocupam a hierarquia católica na Espanha. Em relação à prometida liberalização do aborto, o presidente da CEE repetiu que esta não é uma questão de consciência apenas para os católicos, “mas de elementar humanidade”. O ensino da disciplina de Religião na escola pública é, segundo os Bispos espanhóis, uma matéria que deve ser regulada “conjugando a qualidade académica com a liberdade exigida neste campo”, assegurando que este compromisso tinha sido obtido na governação de Aznar. Sobre este tema, o representante do Papa em Espanha, Núncio Manuel Moteiro de Castro, defendeu que é necessário oferecer aos alunos a possibilidade de frequentarem a disciplina, referindo que “uma percentagem muito elevada de pais quer que os seus filhos sejam educados nos princípios que nos deram a Espanha e a Europa que temos hoje”. “A ignorância, em matéria religiosa, não é o melhora para a Espanha”, acrescentou o arcebispo português. Uniões homossexuais: não ao casamento O Núncio Apostólico em Espanha disse que o conceito de matrimónio está limitado à união “entre homem e mulher” e defendeu que “deve ser o que conhece desde sempre como matrimónio”. “Penso que se pode tentar que as outras formas de convivência sejam reconhecidas, mas não como matrimónios”, acrescentou, em referências às uniões entre homossexuais. O presidente da CEE insistiu nesta ideia, vincando que “não se trata de negar os direitos de ninguém, mas de defender de maneira coerente os direitos da família, assunto de vital importância para a sociedade espanhola”. Terrorismo O cardeal Rouco Varela voltou a classificar de “escandaloso e perverso” que se cometam actos terroristas “em nome de Deus”. “Esta é uma nova e terrível forma de agressão à paz interior e exterior dos povos, que utiliza métodos de inaudita crueldade, coloca em perigo a ordem internacional e ameaça a paz mundial”, disse o presidente da CEE no início da assembleia plenária.
