Assembleia plenária reuniu 316 Bispos de 21 a 30 de Abril A Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) pediu a todos os padres do país que se afastem de todo e qualquer cargo político, esclarecendo que “a partidarização política não se coaduna com a missão do presbítero”. A advertência consta no número 41 da “Carta aos Presbíteros”, a mensagem preparada pelo episcopado durante a última assembleia plenária da CNBB, a qual reuniu 316 bispos de 21 a 30 de Abril. “Lamentamos quando alguns de vocês (padres) se deixem levar pela ilusão de que, ocupando cargos políticos, servirão melhor o povo do que por meio do ministério presbiteral”, escrevem os membros da CNBB. Os Bispos defenderam que as funções políticas estão reservadas aos leigos, vincando que “o facto de a Igreja não possuir nem oferecer um particular modelo de vida social, nem estar ligada a um determinado sistema político, não quer dizer que ela não deva formar e encorajar os cristãos leigos a participarem na elaboração de projectos socio-políticos, que contribuam para a construção da sociedade justa e fraterna”. Nesse sentido, criticam o arrefecimento da “opção preferencial pelos pobres”, pedindo aos católicos que estejam “presentes no mundo dos pobres, solidários nas situações de sofrimento e de conflito social, apoiando as pastorais sociais, iniciativas da nossa Igreja no empenho na promoção de políticas públicas em vista do bem comum”. A 42ª Assembleia Geral do episcopado brasileiro ficou marcada pelas informações vindas a público sobre um estudo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), segundo o qual 41% dos padres brasileiros teriam tido “relações sexuais com mulheres”. O Cardeal Geraldo Majella Agnelo, Presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) negou as insinuações, referindo que “lamentamos e desaprovamos o constrangimento que trouxe, para a nossa 42ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, para os nossos Padres e para toda a Igreja, a interpretação inexacta dada a uma das perguntas da Pesquisa encomendada ao CERIS pela Comissão Nacional de Presbíteros – CNP. De facto, “envolvimento afectivo” inclui um vasto leque de empenho dos afectos humanos e não apenas a relação sexual”, assegurou o Cardeal Agnelo. “Se fosse verdade que, em algum momento da vida, 41% dos sacerdotes tiveram alguma fraqueza ou queda no campo da castidade, isto não poderia ser interpretado como situação estável de infidelidade ao dever do celibato”, acrescentou. Durante o encontro, o bispo responsável pela actividade social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), D. Aldo Pagotto, criticou o programa “Fome Zero” do governo de Lula da Silva, mas também o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). D. Aldo disse que o MST tem um “nobilíssimo ideal”, mas que não concorda com seus métodos, por causa das acções violentas. Sobre o “Fome Zero”, o bispo disse que é um programa assistencialista que “habitua mal as pessoas”. Ainda na 42ª assembleia geral da CNBB, os Bispos católicos do Brasil manifestaram a sua preocupação com o aumento das taxas de desemprego e a perda de poder de compra dos trabalhadores. “Vivemos numa situação de agravamento crescente das desigualdades sociais, com ameaças constantes de rompimento do tecido social. Não nos podemos acostumar com a dura realidade, que faz de nosso País um campeão da má distribuição de terra, rendimento e riqueza”, apontaram os prelados numa mensagem divulgada por ocasião do Dia do Trabalhador. O documento assinala que o Brasil atravessa uma profunda crise “económica e social, marcada por taxas recordes de desemprego e subemprego”. De acordo com os dados apresentados, são mais de 25 milhões de pessoas no mercado de trabalho informal, ou até em actividades ilegais.
