«A unidade dos povos europeus, se quiser ser duradoura, não pode ser só económica e política» João Paulo II saudou ontem a adesão de 10 novos países à União Europeia, aproveitando este momento histórico para insistir na necessidade de que os valores cristãos sejam reconhecidos na construção de uma nova Europa. “A Europa vive nestes dias outra importante etapa da sua história: dez novos países entram na União Europeia. Dez nações, que pela sua cultura e tradições eram e se sentiam europeias, passam agora a fazer parte desta união de Estados”, sublinhou o Papa antes de rezar a oração mariana do “Regina Caeli”, um dia depois da adesão à União Europeia de dez novos países. A intervenção do Papa destacou que “a unidade dos povos europeus, se quiser ser duradoura, não pode ser só económica e política”. “A alma da Europa continua hoje a estar unida graças aos valores humanos e cristãos que lhe são comuns”, acrescentou. Para João Paulo II, a história da formação das nações europeias está ligada à evangelização e, apesar das crises que marcaram a vida do Continente, “a sua identidade seria incompreensível sem o cristianismo”. “Só uma Europa que não elimine, mas que redescubra as suas raízes cristãs poderá estar à altura dos grandes desafios do terceiro milénio: a paz, o diálogo entre as culturas e as religiões”, assinalou. O Papa tem sido uma das vozes mais activas na defesa de uma referência aos valores cristãos no Tratado Constitucional da UE. Já hoje, o presidente polaco reafirmou o seu apoio a esta intenção de João Paulo II, avançando com a hipótese de se escrever “uma introdução, diferente do preâmbulo, na qual se diria que somos fiéis às profundas tradições europeias, às tradições cristãs”.
