A Mensagem do Papa para o Dia Mundial de oração pelas Vocações de 2004 compromete toda a Igreja Católica na busca de novos candidatos para o sacerdócio, sabendo-se que o número dos presbíteros não é suficiente para dar resposta às crescentes exigências da evangelização e do cuidado pastoral dos fiéis. “Possam todas as comunidades cristãs tornar-se ‘autênticas escolas de oração’, onde se reze a fim de que não faltem trabalhadores no vasto campo do trabalho apostólico”, pede o Papa. Traçando o quadro de conjunto da actual situação vocacional na Igreja, há quem prefira olhar com optimismo para o futuro. Os responsáveis da Congregação para o Clero da Santa Sé aproveitaram a última Quinta-feira Santa para defender que a Igreja Católica vive, em várias partes do mundo, uma “promissora primavera vocacional”, apresentando os dados relativos ao número de padres em 2001 e em 1961 como prova dessa teoria. Apesar da escassez de clero que se vive em algumas regiões do globo, o número total de Bispos, padres e diáconos no mundo era, em 2001, de 439.850, número que supera os 406.509 de 1961 e dá razões para o optimismo do Papa e da Santa Sé. O secretário da Congregação para o Clero, arcebispo Csaba Ternyák, explicou em conferência de imprensa que o número de padres dedicados exclusivamente ao serviço paroquial “cresceu de modo ainda mais notável”: 212.095 estavam confiadas directamente a um padre, contra as 200.295 em 1978. 14% das actuais 216.736 paróquias foram criadas nos últimos 30 anos. No mundo a proporção de sacerdotes para cada católico é de 1 para cada 2.600; em relação ao número de paróquias confiadas a não-sacerdotes, o total é de 3371, o que representa uma percentagem de 1,55% das paróquias de todo o mundo. Nos continentes mais jovens registou- se um crescimento no número de padres. O número de seminaristas duplicou desde 1978 (112.982 contra 63.882) e a proporção de padres que desistem baixou de 9,09% no início do Pontificado de João Paulo II para os actuais 6,93%. Nunca na história da Igreja thouve tantos seminaristas a estudar filosofia e teologia. Novas estratégias para Portugal Em Portugal procuram-se novas estratégias para cativar os jovens para o sacerdócio e,nesse sentido, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aprovou em assembleia plenária as “Bases para a Pastoral Vocacional”. documento em que os Bispos propõem uma “mudança radical” na abordagem aos jovens católicos, com o objectivo de os cativar para o sacerdócio. A CEP assegura que é necessário “dar início a uma cultura do chamamento, ou seja, passar de uma atitude da espera e do acolhimento dos que se sentem chamados a uma pastoral da proposta directa, do convite e do chamamento pessoal”. Isto implica um compromisso de “toda a Igreja”, com o anúncio explícito “da excelência e da riqueza das vocações de especial consagração aos jovens”. “A pastoral deve ser mais corajosa e franca em relação à proposta vocacional, mais concreta e incisiva na apresentação da mensagem-proposta, mais dirigida à pessoa e não apenas ao grupo, mais feita de envolvimento concreto e não de apelos vagos a uma fé abstracta e distante da vida, mais provocadora do que consoladora”, explicam os prelados portugueses. Nesse sentido, justifica-se a criação de uma estrutura global, o Serviço Nacional de Vocações (SNV), com os Bispos a defenderem que “a acção vocacional não se pode realizar de um modo ocasional, esporádico e fragmentado, mas de forma permanente, sistemática e programada”. O SNV funcionará na dependência da Comissão Episcopal do Clero Seminário e Vocações como “ o órgão privilegiado da pastoral vocacional na comunhão das Igrejas particulares”. Com esta estrutura os Bispos pretendem dotar a Igreja Católica em Portugal com um espaço privilegiado de partilha, estudo, programação, animação e coordenação dos Centros (Serviço, Secretariado, Obra, Departamento) Diocesanos das Vocações. O documento pede ainda que cada paróquia crie uma “equipa de animação vocacional” e que todas as Dioceses incluam esta preocupação na sua “Pastoral ordinária”. “Nas dioceses e paróquias, famílias e centros educativos, movimentos e institutos de vida consagrada, é urgente e necessário que todos se envolvam nas estruturas da pastoral das vocações de uma maneira empenhada e interpeladora”, apontam as “Bases”. O documento constata “a carência de seminaristas e de aspirantes à vida religiosa” e começa por afirmar que a acção na área das vocações “constitui uma prioridade pastoral” e é uma preocupação fundamental. Os objectivos das “Bases”, neste contexto, são a “renovação e dinamização da Pastoral Vocacional em Portugal”, que consigam englobar todos os agentes deste sector: pais, educadores, escolas, movimentos, institutos de vida consagrada, paróquias, dioceses. De acordo com o Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa (Anuário Católico de Portugal 2003), o nosso país conta com 9.404.000 católicos para um total de sacerdotes que ronda os 4.300. A relação é, assim, de 1 sacerdote para cada 2.200 católicos. Apesar desta situação, a esmagadora maioria das paróquias é administrada pastoralmente por sacerdotes (4.322) e apenas perto de 40 (0,9%) são administradas por diáconos, religiosas e leigos. A CEP mostra-se particularmente crítica para com a apatia manifestada pelas comunidades católicas em relação a esta crise de vocações, lamentando que muito fiéis manifestem desinteresse “pela cultura vocacional”. “Todos e cada um dos membros da Igreja devem ser mediadores da proposta vocacional”, alertam os Bispos. Destacando que “o futuro da fé cristã passa pelo cuidado das vocações”, os Bispos lembraram que a cultura dominante passa “uma certa imagem negativa sobre as realidades vocacionais da Igreja”. “A pastoral das vocações tem um papel determinante em suscitar, acompanhar e ajudar a discernir o serviço dos ministros ordenados e dos consagrados, numa Igreja que deseja anunciar, celebrar e servir o Evangelho da esperança”, apontam os líderes da Igreja Católica em Portugal. A mensagem do Papa • Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2004
