«Bases para a Pastoral Vocacional» lançadas em Fátima A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apresentou ontem em Fátima as “Bases para a Pastoral Vocacional”, documento em que os Bispos propõem uma “mudança radical” na abordagem aos jovens católicos, com o objectivo de os cativar para o sacerdócio. A CEP assegura que é necessário “dar início a uma cultura do chamamento, ou seja, passar de uma atitude da espera e do acolhimento dos que se sentem chamados a uma pastoral da proposta directa, do convite e do chamamento pessoal”. Isto implica um compromisso de “toda a Igreja”, com o anúncio explícito “da excelência e da riqueza das vocações de especial consagração aos jovens”. “A pastoral deve ser mais corajosa e franca em relação à proposta vocacional, mais concreta e incisiva na apresentação da mensagem-proposta, mais dirigida à pessoa e não apenas ao grupo, mais feita de envolvimento concreto e não de apelos vagos a uma fé abstracta e distante da vida, mais provocadora do que consoladora”, explicam os prelados portugueses. Nesse sentido, justifica-se a criação de uma estrutura global, o Serviço Nacional de Vocações (SNV), com os Bispos a defenderem que “a acção vocacional não se pode realizar de um modo ocasional, esporádico e fragmentado, mas de forma permanente, sistemática e programada”. O SNV funcionará na dependência da Comissão Episcopal do Clero Seminário e Vocações como “ o órgão privilegiado da pastoral vocacional na comunhão das Igrejas particulares”. Com esta estrutura os Bispos pretendem dotar a Igreja Católica em Portugal com um espaço privilegiado de partilha, estudo, programação, animação e coordenação dos Centros (Serviço, Secretariado, Obra, Departamento) Diocesanos das Vocações. O documento pede ainda que cada paróquia crie uma “equipa de animação vocacional” e que todas as Dioceses incluam esta preocupação na sua “Pastoral ordinária”. “Nas dioceses e paróquias, famílias e centros educativos, movimentos e institutos de vida consagrada, é urgente e necessário que todos se envolvam nas estruturas da pastoral das vocações de uma maneira empenhada e interpeladora”, apontam as “Bases”. O documento, de 42 pontos, constata “a carência de seminaristas e de aspirantes à vida religiosa” e começa por afirmar que a acção na área das vocações “constitui uma prioridade pastoral” e é uma preocupação fundamental. Os objectivos das “Bases”, neste contexto, são a “renovação e dinamização da Pastoral Vocacional em Portugal”, que consigam englobar todos os agentes deste sector: pais, educadores, escolas, movimentos, institutos de vida consagrada, paróquias, dioceses. A CEP mostra-se particularmente crítica para com a apatia manifestada pelas comunidades católicas em relação a esta crise de vocações, lamentando que muito fiéis manifestem desinteresse “pela cultura vocacional”. “Todos e cada um dos membros da Igreja devem ser mediadores da proposta vocacional”, alerta o documento. Destacando que “o futuro da fé cristã passa pelo cuidado das vocações”, os Bispos lembraram que a cultura dominante passa “uma certa imagem negativa sobre as realidades vocacionais da Igreja”. “A pastoral das vocações tem um papel determinante em suscitar, acompanhar e ajudar a discernir o serviço dos ministros ordenados e dos consagrados, numa Igreja que deseja anunciar, celebrar e servir o Evangelho da esperança”, apontam os líderes da Igreja Católica em Portugal. O documento • Bases para a Pastoral Vocacional
