40 Bispos de toda a UE, reunidos em Santiago de Compostela, exigiram mais uma vez a referência ao Cristianismo no futuro Tratado Constitucional europeu. O presidente da Comissão dos episcopados da comunidade europeia (COMECE), o prelado alemão Josef Homeyer, disse que “sem essa referência, achamos que os fundamentos do futuro da Europa não estarão tão seguros. “A referência à herança cristã e a referência a Deus pertencem, na nossa convicção, ao Preâmbulo da futura Constituição”, vincou. A exigência foi feita no congresso que junta 40 Bispos, iniciativa que constitui a segunda etapa de uma semana de reflexão sobre “União Europeia, esperança e responsabilidade” e onde se pretende debater, de 21 a 24 de Abril, o desenvolvimento da UE numa perspectiva teológica. Em cima da mesa vão estar temas como o alargamento e a futura Constituição Europeia. Antes deste Congresso teve lugar uma peregrinação até à “capital espiritual da Europa”, Santiago de Compostela, para assinalar a entrada de 10 novos países na UE, a 1 de Maio próximo, e o processo de reunificação europeia que aproxima o Leste do Ocidente. Foi com este espírito que mais de 300 peregrinos dos 25 países da nova UE responderam ao desafio da Comissão das Conferências episcopais da Comunidade Europeia (COMECE) de ocuparem uma semana de Abril a dar as boas vindas a uma nova Europa, “unida na paz, na justiça e na solidariedade”. A peregrinação, iniciada a 17 de Abril no mosteiro de São Domingos de Silos, congregou 40 bispos católicos, representantes ortodoxos, anglicanos, luteranos, vetero-católicos e calvinistas. Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia dirigiu-se aos participantes através de uma videomensagem onde classificou Santiago como “capital espiritual da unidade europeia” e lembrou que a Igreja e a Europa “estão estreitamente ligadas entre si”. “A comunhão que se realiza no Caminho deve recordar-nos a fé e a convicção que permitiram destruir os muros que sulcavam a Europa como cicatrizes, e permitiram à nossa União uma nova, mais ampla, respiração”, disse Prodi. Já o presidente do Conselho das conferências episcopais europeias (Ccee), D. Amédée Grab, disse que os cristãos não devem deixar de sonhar e contribuir para uma Europa melhor. “É preciso não desistir diante dos obstáculos de ordem política, económica e cultural que desconcertam e dividem os europeus”, referiu. Entre os problemas associados à construção europeia, o presidente da Ccee referiu o impasse no Tratado Constitucional da UE e a indecisão a respeito de uma eventual inclusão à herança cristã na Europa. “Os cristãos devem esperar, mas isso não significa passividade”, alertou.
