Assassinato de Abdelaziz al-Rantissi foi condenado pelo Papa João Paulo II apelou ontem à libertação dos reféns no Iraque e condenou estes gestos “desumanos”, bem como o assassinato do líder do Hamas, Abdelaziz al-Rantissi, em Gaza. “Acompanho com grande tristeza as trágicas notícias que chegam da Terra Santa e do Iraque. O derramamento de sangue dos irmãos deve cessar. Semelhantes actos desumanos vão contra a vontade de Deus”, exclamou o Papa após rezar a oração do “Regina Caeli”. Ao dirigir-se aos milhares de peregrinos congregados ao meio-dia na praça de São Pedro no Vaticano, confessou que se sente “particularmente próximo, em pensamento e oração, às famílias dos que estão ansiosos pelo futuro de seus entes queridos, especialmente por todos que foram tomados como reféns”. O Papa convidou os raptores a “sentimentos de humanidade” e a devolver os reféns aos seus familiares. “Rezo a Deus misericordioso pelos habitantes da Terra Santa e do Iraque e por todos aqueles que trabalham nessas regiões pela reconciliação e a paz”, concluiu. Mais de quarenta pessoas de doze países foram sequestradas no Iraque nos últimos dias. Até ao momento foi assassinado um italiano, Fabrizio Quatrochi. No passado dia 16 de Abril o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, manifestou a disposição da Santa Sé para mediar a favor da libertação dos sequestrados. “A Santa Sé está sempre disposta, como esteve através dos séculos de sua existência, a oferecer a sua obra pacificadora e de mediação quando lhe for pedido”, afirmou o cardeal italiano em declarações à Rádio Vaticano. O antigo observador da Santa Sé na ONU pediu que a comunidade internacional “intervenha no cenário (do Iraque), transformando o tipo de presença actual numa presença pacificadora de todos os componentes da sociedade iraquiana”. O arcebispo Fernando Filoni, Núncio Apostólico no Iraque confirmava o interesse da Santa Sé em mediar a libertação dos reféns, em declarações concedidas nesse mesmo dia à Rádio Vaticano, mas reconhecia que é muito difícil entrar em contacto com os sequestradores. “É difícil encontrar o interlocutor com que eventualmente se poderá negociar”, declarou o representante do Papa em Bagdad.
