A importância da comunidade na Pastoral Vocacional

Nota do bispo de Angra para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações “Esta Quinzena Vocacional interpela fortemente a autenticidade e credibilidade da vivência da nossa fé. Não há receitas, para ultrapassar a crise actual das vocações”- sublinha D. António Sousa Braga, Bispo de Angra, na Nota Pastoral para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a celebrar dia 2 de Maio. A dimensão vocacional “é a perspectiva unificante”, sobretudo, da pastoral juvenil, nos seus diversos níveis. Esta deve ser «provocação» porque a proposta vocacional “deve dirigir-se a todas as idades e nunca é feita uma só vez na vida” – salienta o prelado dos Açores. A animação vocacional é “comunitária, em duplo sentido”: “por um lado, porque “é dirigida a toda a comunidade – a todos sem excepção” – e por outro lado, porque “não compete unicamente a um agente pastoral isolado o encarregado das vocações – mas é acção comunitária” – revela. Mensagem na Integra Dia Mundial de Oração pelas Vocações NOTA PASTORAL Dia Mundial de Oração pelas Vocações A 2 de Maio p.f – Domingo do Bom Pastor – celebra-se em toda a Igreja Católica o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Como exorta o Papa na Sua Mensagem, «todos os fiéis se unirão em oração ardente pelas vocações ao sacerdócio, à vida consagrada e ao serviço missionário… A vocação ao serviço exclusivo de Cristo, na Sua Igreja, constitui um dom inestimável da bondade divina, dom este que se há-de implorar com insistência e humildade confiante». 1) Toda a vocação nasce da «invocação». É o que recomenda Jesus no Evangelho: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe, para envie trabalhadores para a Sua messe» (Mt 9, 37-38). A oração pelas vocações consagradas tem de ser permanente, nas comunidades paroquiais e religiosas, nos movimentos eclesiais e nos grupos cristãos. É, pois, de louvar o costume de dedicar um dia por semana ou por mês à oração pelas vocações. Na Quinzena Vocacional – de 25 de Abril a 2 de Maio – vamos intensificar essa «invocação», a nível pessoal e comunitário. Como adverte o Papa, no cerne de todas as iniciativas de oração pelas vocações, está a Celebração Eucarística, prolongada na Adoração do Santíssimo Sacramento. É, sobretudo, na Eucaristia e pela Eucaristia que a nossa oração pelas vocações exprime a mais profunda comunhão com a oração de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote. Fazendo nossa a oração sacerdotal de Jesus (cf. Jo, 17), queremos rezar, antes de mais, pelos consagrados/as. Trazendo «este tesouro …em vasos de barro» (2 Cor 4, 2), precisam da força do Alto, para serem fiéis, tornando-se, por sua vez, estímulo para que outros/as sigam o mesmo caminho. É preciso ter a coragem de fazer a proposta vocacional concreta e específica. Deus continua a chamar através de mediações humanas, cuja eficácia tem muito a ver com o testemunho pessoal da radicalidade evangélica. Os nossos contemporâneos escutam mais as testemunhas do que os mestres e, se escutam os mestres, é porque são testemunhas (cf. Evangelii Nuntiandi, n. 41). 2) A oração e o testemunho devem ser acompanhados por uma acção pastoral organizada em prol das vocações… Toda a pastoral é por natureza vocacional. A Igreja é «assembleia de chamados». A animação vocacional para vida consagrada só adquire consistência, se inserida neste amplo contexto da pastoral geral da Igreja, envolvendo família e catequese, pastoral escolar e juvenil… A dimensão vocacional é a perspectiva unificante, sobretudo, da pastoral juvenil, nos seus diversos níveis. A pastoral juvenil deve ser «provocação». É certo que a proposta vocacional deve dirigir-se a todas as idades e nunca é feita uma só vez na vida. Mas não há dúvida de que a juventude – como fase evolutiva em que se define o projecto de vida – é o destinatário privilegiado da proposta vocacional. Daqui a importância que pode assumir, do ponto de vista vocacional, a preparação para o Crisma, Sacramento do testemunho e da missão. 3) Embora abarque tantos outros aspectos, a pastoral juvenil não pode abstrair da dimensão vocacional, não só genérica, mas também específica. Não há contraste entre o apelo que sublinha os valores comuns e básicos da existência cristã e o apelo da vocação consagrada. Numa primeira etapa, a animação vocacional é necessariamente genérica. Implicando envolvimento pessoal, torna-se, depois, forçosamente específica, «de acordo com a medida da graça recebida». A animação vocacional realiza-se na comunidade e pela comunidade, mas a vocação é pessoal. Exige, pois, acompanhamento pessoal, em que a Direcção Espiritual assume especial relevo. Na dinâmica vocacional, chega um momento, em que o apelo vocacional se personaliza, no contexto de uma relação individual, que leva ao encontro pessoal com Cristo. Neste encontro é que surgem e amadurecem as vocações específicas 4) Isto não significa interpretar a vocação em chave individualista da consagração e do ministério, corno mera busca de realização pessoal. As vocações florescem na comunidade e para a comunidade. Implicam o chamamento também da comunidade, através dos responsáveis hierárquicos. A animação vocacional é comunitária, em duplo sentido: Por um lado, porque é dirigida a toda a comunidade: a todos sem excepção. Não é para alguns privilegiados. É para todos. E por outro lado, porque não compete unicamente a um agente pastoral isolado o encarregado das vocações – mas é acção comunitária, isto é, de toda a comunidade, nas suas diversas expressões: paróquias e movimentos, institutos religiosos e seculares, pais e catequistas; professores e educadores. Resumindo e concluindo, a pastoral vocacional não consiste em mero recrutamento de pessoal para uma empresa. É o encontro do mistério de Deus com a liberdade humana. Por isso, a acção pastoral em prol das vocações, para além de toda a organização, só é eficaz, se brotar e florescer dentro de uma comunidade de fé. Assim, esta Quinzena Vocacional interpela fortemente a autenticidade e credibilidade da vivência da nossa fé. Não há receitas, para ultrapassar a crise actual das vocações. Urge estar atentos ao que o Espírito está dizendo à Igreja, nas circunstâncias actuais. Ele é o Paráclito que Jesus prometeu enviar e envia em nossa ajuda, na diversidade dos seus dons e carismas, com vista ao bem comum. Só há pastoral vocacional, dentro deste respiro de vida espiritual, na medida em que vivermos cada vez mais, sob o «Império do Espírito Santo». D. António Sousa Braga, Bispo de Angra

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