Mais um Bispo católico foi detido pelas autoridades O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, veio esta manhã manifestar o descontentamento da Igreja Católica pela prisão de mais um Bispo católico na China, por parte das autoridades locais. “Mais uma vez, um membro da hierarquia católica é privado da liberdade pessoal sem que se forneçam motivos jurídicos. Isto é inadmissível num Estado de direito que declara garantir ‘a liberdade religiosa’ e diz respeitar e preservar os direitos humanos”, afirmou Navarro-Valls aos jornalistas. A reacção católica surge depois de as agências noticiosas terem informado que um Bispo Católico, detido no passado durante 20 anos, foi preso novamente pela polícia da República Popular Chinesa. O Bispo em questão é D. Jia Zhiguo, de 69 anos de idade, líder da Igreja clandestina em Zhengding, na província do Hebei (norte). Segundo a Fundação Cardinal Kung, o bispo foi levado segunda- feira por quatro membros da Segurança de Estado que declararam “cumprir ordens superiores” e se recusaram a justificar a detenção. Interrogados pela agência France Press, tanto a polícia como o serviço de Assuntos Religiosos do município de Zhengding se escusaram a fazer qualquer comentário. O bispo, detido por um breve período em Abril de 2002, ocupa-se no seu domicílio de cerca de uma centena de órfãos, segundo a organização sediada no estado norte-americano de Connecticut. A detenção de Jia Zhigo segue-se à do bispo Wei Jingyi na cidade de Qiqihar (nordeste). Wei permaneceu detido entre 05 e 14 de Março durante a sessão anual do parlamento chinês. Agora que o parlamento introduziu uma emenda que inscreve a noção de “direitos do Homem” na Constituição, a fundação Cardinal Kung considera que “estas detenções mostram claramente que o governo chinês não põe em prática o que proclama em teoria”. Já no passado dia 5 de Março, o Bispo da Igreja Católica clandestina chinesa D. Wei Jingyi fora detido no aeroporto de Harbin (nordeste da China). Esta prisão causou um grande mau estar na Igreja Católica, com o porta-voz do Vaticano a assegurar que “a Santa Sé recebeu com preocupação e tristeza a informação relativa à detenção de um bispo católico na China”. “Se existem provas de acusação contra o bispo detido, então estas devem ser tornadas públicas, como acontece nos Estados de Direito. A Santa Sé não tem razões para duvidar da sua inocência”, referia Joaquín Navarro-Valls As relações entre a China e o Vaticano foram cortadas em 1957, depois de o Papa Pio XII ter excomungado dois bispos nomeados pelo regime comunista. O Vaticano estabeleceu então relações com Taiwan. Os católicos chineses, cerca de 14 milhões distribuídos entre a Associação Católica Patriótica e a Igreja Católica “clandestina”, dividem-se entre a lealdade ao Papa João Paulo II e ao Partido Comunista Chinês. Embora o Partido Comunista (68 milhões de membros) se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica “clandestina” conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos. O baptismo e o ensino religioso entre menores de 18 anos são punidos na China com prisão ou confinamento aos “campos de reeducação pelo trabalho”.
