O cardeal Javier Lorrano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, ficou “chocado” com a situação no Norte do Uganda, que testemunhou com uma visita aos hospitais católicos de Gulu, Kalongo e Kitgum. “O cardeal pôde constatar a miséria, o sofrimento e o medo da população do Norte do Uganda”, disse à agência missionária Misna o comboniano Tarcisio Pazzaglia, a trabalhar em Kitgum. Apesar da situação catastrófica provocada pela pobreza e pelos ataques da guerrilha, as condições oferecidas pelos hospitais católicos continuam a ser as melhores possíveis. “O cardeal assistiu à chegada de dois feridos, apanhados numa emboscada dos rebeldes, e constatou directamente a tragédia que estas pessoas vivem quotidianamente”, relatou o missionário. O “ministro da saúde” da Santa Sé assegurou que “ a Igreja está próxima dos ugandeses, vítimas desta guerra”, e que irá relatar a situação no local assim que chegar ao Vaticano. Na bagagem seguem violentos episódios da guerra que é levada a cabo pelo “Exército de Resistência do Senhor” (LRA, iniciais em inglês), de Joseph Kony. Desde 1986, os rebeldes do LRA torturaram e assassinaram cerca de 120.000 de pessoas, sequestraram mais de 25.000 crianças e provocaram o deslocamento de mais de um milhão de civis. Em Novembro passado, após visita ao Uganda, o comissário da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, definiu a situação do país africano como “a pior crise humanitária do mundo”.
