Cerimónia juntou as três religiões monoteístas A Catedral de Rabat, Marrocos, recebeu na passada terça-feira uma cerimónia inter-religiosa, em memória das vítimas dos atentados de 11 de Março, em Madrid. A celebração contou com a presença de representantes das três religiões monoteístas: Islamismo, Cristianismo e Judaísmo. O gesto envolve-se de um maior significado quando se sabe que a polícia de Espanha identificou seis marroquinos suspeitos de envolvimento nos atentados de Madrid. Participaram na cerimónia a Ministra dos Negócios Estrangeiros da Espanha, Ana Palácio, e as mais altas autoridades do governo marroquino. O Arcebispo de Rabat, D. Vincent Landel, aproveitou a ocasião para denunciar a “espiral de violência desumana que está a atingir o mundo”. “Estamos aqui para dizer, qualquer que seja a nossa religião ou a nossa nacionalidade, que desejamos que isto acabe”, acrescentou o arcebispo, numa Catedral repleta de fiéis. TERRORISTAS ATENTARAM CONTRA DEUS Em Madrid, foi o arcebisplo local quempediu para orar pela conversão dos terroristas dos atentados de quinta-feira passada, na capital espanhola, vincando que estes atentaram “contra o próprio Deus”. “Matar um semelhante, assassinar um irmão, é atentar contra o próprio Deus, o único que tem em suas mãos as chaves da vida e da morte”, disse. Essa foi a passagem central da homilia que o cardeal Antonio Maria Rouco Varela pronunciou na Eucaristia celebrada na Catedral da Almudena, em memória dos 201 mortos. No funeral, esteve presente a Rainha Sofia, assim como representantes do governo espanhol, da prefeitura de Madrid e da Comunidade Autónoma. “Com quanta força temos de orar pela conversão dos assassinos, que se denigrem e embrutecem a si mesmos e se precipitam na eterna condenação se rejeitam todo arrependimento!”, afirmou o cardeal. O presidente da Comissão Episcopal Espanhola quis deixar uma mensagem de esperança, assegurando aos presentes que “o terrorismo pode ceifar-nos a vida e arrebatar os nossos entes queridos; pode lançar-nos a dor mais intensa e inexplicável, mas nunca poderá arrebatar-nos a certeza de que a morte de Cristo, morte por todos e cada um dos homens, abriu as portas de uma esperança que se alimenta, inclusive contra toda esperança, da Vida que nos vem de Deus”.
