João Paulo II pede ajuda internacional para o país Pelo menos três pessoas morreram ontem em acções de violência ocorridas na capital do Haiti, após a partida para o exílio do demissionário Presidente Jean-Bertrand Aristide. Este deixou o país rumo a Bangui, capital da República Centro-Africana, depois de renunciar ao cargo “para evitar um banho de sangue”. Pouco antes destes factos, João Paulo II pedia neste Domingo que os haitianos tenham “a coragem de tomar as decisões que se impõem, nestes momentos tão difíceis”, convidando a comunidade internacional e as organizações humanitárias a ajudar o país caribenho. A situação de ingovernabilidade, de insegurança e violência contribui para piorar as já precárias condições socio-económicas do Haiti, pelo que o Pe. Wilnès Tilus, director da Caritas local, teme uma nova crise humanitária, devastadora para um País onde 65% da população vive abaixo do limiar da pobreza absoluta. O primeiro responsável da Cúria Romana a reconhecer a preocupação da Santa Sé pela situação no Haiti foi o Cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano. À margem de uma conferência celebrada em Roma, o cardeal italiano confessou que “a situação no Haiti provoca muita preocupação”. A Cáritas Haiti já pediu que as intervenções humanitárias possam ser colocadas em andamento, alertando para “o clima de terror que vive a ilha, a repressão sistemática que exercem tanto as forças policiais como os grupos de civis armados, e as dificuldades das vítimas para recorrer à justiça, perante a situação de insegurança generalizada”.
