Santiago: todos os passos de um Papa «peregrino»

Bento XVI passará menos de oito horas na Galiza, que o recebe pela primeira vez. Última visita papal foi em 1989

Dezenas de milhares de pessoas preparam-se para receber Bento XVI em Santiago de Compostela, Espanha, ao final da manhã deste Sábado, 6 de Novembro, vendo o Papa cumprir o desejo de peregrinar até ao Santuário galego.

O avião que transporta o Papa e a sua comitiva partiu de Roma pelas 08h30 (hora local, menos uma em Lisboa) e chegou, menos de três horas depois, a Compostela. O percurso de 11 quilómetros entre o aeroporto e um dos Santuários católicos mais importantes do mundo é realizado em papamóvel e acompanhado por milhares de pessoas, que já se começaram a congregar junto à estrada.

Aquela que é chamada pelos seus responsáveis como “capital espiritual da Europa” é meta da primeira viagem papal após a criação de um novo Conselho Pontifício, no Vaticano, para a promoção da Nova Evangelização, especialmente destinado aos países ocidentais.

Numa passagem com menos de oito horas, Bento XVI via proferir dois discursos e uma homilia, mas o destaque vai para a visita à Catedral de Compostela, onde seguirá as tradições que todos os peregrinos ali cumprem, junto do túmulo e da imagem do Apóstolo Tiago.

A visita papal acontece em ano santo de Compostela, ano jacobeu ou jubilar, celebrado desde o século XII, quando o dia 25 de Julho, festa de São Tiago, coincide com um Domingo.

A intervenção inicial desta viagem acontece no aeroporto de Lavacolla, após a chegada de Roma, prevista para as 11h30 (hora local, menos uma em Lisboa).

A cerimónia oficial de boas-vindas, não aberta ao público, conta com a presença dos príncipes herdeiros das Astúrias, Felipe e Letizia, e o arcebispo de Santiago, D. Julián Barrio.

Uma hora depois, começa o lento percurso até à catedral de Santiago, durante o qual o Papa pode cumprimentar os milhares de fiéis esperados ao longo do caminho.

Catedral

Bento XVI e os responsáveis do Vaticano têm sublinhado a vontade de que a visita do Papa seja vista como a de um “peregrino”, pelo que a meia hora que este irá passar na Catedral é marcada pelo simbolismo comum a qualquer peregrinação.

Bento XVI entra pela porta da Azabachería e é recibido pelo Cabido da Sé, cujo Deão apresenta ao Papa uma relíquia da Cruz, para que a beije, depois de o Arcebispo de Santiago ter oferecido água benta.

Ao som do hino pontifício, forma-se uma procissão, com Bento XVI a seguir para a Capela do Santíssimo, onde ficará uns momentos em oração silenciosa.

O Papa segue para o pórtico da glória, saudando os fiéis que estiverem reunidos na praça, e entra de novo na Catedral, onde se vai entoar o hino dos peregrinos, “Dum Pater Famílias”.

Pela chamada porta real, Bento XVI sai para a praça da Quintana e, após saudar os peregrinos, dirige-se para a Porta Santa.

Segundo o Missal divulgado pelo Vaticano, o Papa entra como “mais um peregrino” e dirige-se ao sepulcro do Apóstolo Tiago, para um momento de oração em silêncio.

Junto do altar, em seguida, vai cumprir um ritual comum a muitos dos peregrinos de Santiago, o abraço à imagem do Apóstolo – em sinal de agradecimento pelo bom sucesso da peregrinação.

Já no presbitério, após as boas-vindas de D. Julián Barrio, Bento XVI vai pronunciar seu segundo discurso em solo galego.

A passagem pela Catedral conclui-se com a oração do Pai-nosso, perante um grupo com menos de mil pessoas, entre padres, doentes, idosos e crianças.

Antes de sair, Bento XVI terá oportunidade para ver funcionar o famoso “Botafumeiro” – um incensário que balança com a ajuda de várias pessoas ao longo de toda a nave central, apenas utilizado em momentos solenes – enquanto se canta o hino ao Apóstolo Tiago, abandonando a Catedral pela porta da Azabachería e seguindo para o palácio da Arquidiocese, onde vai almoçar com os cardeais espanhóis, os membros do comité executivo da Conferência Episcopal de Espanha e a comitiva papal.

Missa

O grande evento público desta visita é a Missa ao ar livre, marcada para as 16h30 (hora local), na praça do Obradoiro, assim chamada porque era nesse local que se trabalhava a pedra para a construção da Catedral.

Durante esta celebração, que durará duas horas, o Papa profere uma oração em que fala na sua “peregrinação ao sepulcro do Apóstolo Santiago”, que quis fazer “como mais um peregrino”.

A “Real Filarmonía de Galicia” vai acompanhar a celebração com música de Mozart e a celebração encerra-se com música tradicional galega, a “Salve Marinera”. Latim e galego misturam-se também com o espanhol durante as leituras e as orações da Missa.

A homilia será a terceira e última intervenção de Bento XVI, dado que no final da celebração seguirá directamente, em carro fechado, para o aeroporto de Santiago, seguindo até Barcelona, onde o espera a segunda parte da viagem, no dia 7 de Novembro.

Trata-se da 18ª viagem do actual Papa ao estrangeiro e da segunda a território espanhol, depois da visita a Valência, em 2006, para o V Encontro Mundial das Famílias.

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