Os presidentes das 22 conferências episcopais da América Latina e Caribe criticaram duramente a actuação dos líderes políticos da região e apontaram várias deficiências ao trabalho da Igreja Católica nos últimos 25 anos. No documento final da assembleia do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), realizado, na cidade mexicana de Puebla – 25 anos da histórica Conferência nessa mesma cidade -, os líderes católicos latino-americanos expressam a sua preocupação pela fragilidade das democracias na região, que dificulta “a governação e contribui para aumentar a pobreza económica, educacional, tecnológica e moral.” “Várias democracias são muito frágeis. A participação política da maioria é manipulada e, em alguns casos, desrespeitada, com casos de fraudes nos processos eleitorais. A essa situação soma-se a falta de formação cívica de muitas comunidades”, afirmam os bispos. A declaração final critica também os políticos, assinalando que a classe política e os dirigentes “põem de lado a formação e os princípios, para se deixarem levar pelas facilidades que o poder oferece”. No que diz respeito às mudanças socio-económicas, o documento recorda que, há 25 anos atrás, os bispos já tinham advertido sobre a crescente desigualdade entre ricos e pobres. O documento pronuncia-se ainda contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), por acreditar que esta pode desequilibrar as economias mais frágeis da região. “Hoje constata-se o aumento dessa diferença; pior ainda, o conceito de pobreza foi ampliado, e não inclui somente características económicas”, escrevem. Diante dessa nova realidade, os prelados destacam a necessidade de rever o processo de evangelização, numa nova conferência geral episcopal. Nesse sentido, esperam que o Papa convoque essa nova conferência para o final de 2005 ou início de 2006. O Presidente da Conferência Episcopal da Venezuela, D. Baltazar Enrique Porras, destacou que os católicos têm uma forte tendência a cair numa atitude de “indiferença religiosa”. Para o Arcebispo venezuelano, a deserção silenciosa dos fiéis católicos foi de 25% a 30% nos últimos anos. UNICEF COMPARTILHA PREOCUPAÇÃO O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) confirma a preocupação dos bispos do CELAM, no que diz respeito às condições de vida dos povos dessa região. A Conselheira do UNICEF para a Protecção da Infância na América Latina e Caribe, María Jesús Conde, dá como exemplo o Paraguai, onde são 241 mil os menores de 17 anos sem protecção e explorados, às vezes até em regime de escravidão. A situação é grave, não apenas nas cidades, mas principalmente nas zonas rurais, em especial na fronteira com a Argentina e o Brasil. O organismo das Nações Unidas pede medidas concretas, “capazes de proteger as crianças que se encontram nessas condições”.
