João Paulo II aproveitou a audiência geral de hoje para lançar um forte ataque contra a corrupção na vida política, sem fazer referência a nenhum país em específico. “É preciso evitar qualquer forma de corrupção política na vida pública, um compromisso que é necessário respeitar com rigor”, disse o Papa aos peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro. A Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, publicou no ano passado uma nota doutrinal sobre “algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política”. A catequese sobre o Salmo 14 levou João Paulo II a evocar 11 “compromissos morais para apresentar-se diante de Deus”. A reflexão recordou as recomendações em relação ao “respeito da integridade moral, a prática da justiça e a sinceridade”. A denúncia da usura foi outro dos pontos centrais, com o Papa a vincar que “esta é uma praga que representa, nos nossos dias, uma realidade infame, que estrangula a vida de numerosas pessoas”. “O salmo pede-nos que assumamos uma posição clara no domínio social: menosprezar os malfeitores, honrar os que temem a Deus”, acrescentou. O Papa citou, depois, três deveres na relação com o próximo: “eliminar a calúnia, na linguagem, evitar qualquer acção que possa prejudicar o irmão e travar os insultos contra quem vive ao nosso lado, todos os dias”.
