31 milhões de pessoas não têm água de qualidade, afirma episcopado A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou na passada semana as directrizes da “Campanha da Fraternidade de 2004”, que tem por lema “Água, Fonte da Vida”. No texto de lançamento, o episcopado no país refere que 31 milhões de pessoas carecem de água com um mínimo de qualidade. Em todo o mundo, uma em cada cinco crianças morre antes dos cinco anos, por causa de doenças relacionadas com o uso da água “É urgente uma mudança de atitudes e a educação para o bom uso da água, incluindo o controlo pessoal, a acção contra o desperdício e a elaboração de política pública que assegure a preservação da água e o seu recto uso”, afirma o arcebispo Luciano Mendes de Almeida, que apresentou a campanha. “O objectivo da CF (Campanha da Fraternidade – 2004) é mostrar que precisamos de respeitar a natureza e preservá-la como dom de Deus para o nosso uso e das gerações futuras”, acrescenta. Segundo o prelado, que citou como fonte a ONU (Organização das Nações Unidas), 40% da humanidade terá de enfrentar graves problemas, devido à poluição das águas, em 2050. A escassez de água doce vem aumentando devido à devastação das matas e à contaminação dos mananciais por resíduos industriais e agrotóxicos e por dejectos urbanos. “A problemática das águas é vasta e envolve a legislação brasileira em relação à gestão dos recursos hídricos, à geração de energia eléctrica e ao complexo desafio da construção de barragens, que tem implicações económicas e sociais além de outras exigências”, assinalou D. Luciano. A Campanha da Fraternidade 2004 irá concretizar-se, entre outros projectos, na captação da água da chuva nas áreas mais áridas do país, em que mais de 800 entidades estão unidas, para realizar a construção de 1 milhão de cisternas de água potável. O arcebispo Luciano Mendes de Almeida fez ainda referência às periferias e favelas, assinalando que “é preciso conseguir água tratada para todos”.
