João Paulo II utiliza o exemplo francês para pedir um maior compromisso cristão A Europa vive um processo de descristianização, traduzido na crise de vocações para o sacerdócio e a vida consagrada. João Paulo II mostra-se consciente deste facto e assegura que, longe de ser motivo de desalento, esta situação exige o despertar dos leigos no seu compromisso de vida cristã. Falando a um grupo de bispos de França, que lhe deram conta da falta de sacerdotes e da diminuição dos fiéis na assistência aos sacramentos, nos últimos anos, o Papa assinalou que a necessidade de provocar “reagrupamentos” de paróquias, animadas por uma equipa de sacerdotes ou por um só sacerdote, trouxe resultados positivos. “Isto permitiu que leigos participassem activamente no dinamismo da sua comunidade, tomando consciência das dimensões profética, real e sacerdotal do seu baptismo”, referiu. Os bispos das províncias eclesiásticas de Dijon, Tours e da Prelatura da «Mission de France», deslocaram-se ao Vaticano em visita “ad Limina Apostolorum”, informando o Papa da gravidade da situação na Igreja desse país, visível no elevado aumento da idade média das pessoas que participam regularmente na vida paroquial. João Paulo II preferiu destacar os homens e mulheres que decidiram assumir compromissos e enfrentar “a indiferença e o cepticismo próprios do ambiente em que vivem.” “Muitos leigos aceitaram com generosidade entregar-se na vida paroquial para assumir, sob a responsabilidade do pastor e respeitando o ministro ordenado, a preocupação evangelizadora, assim como o serviço da oração e da caridade”, vincou o Papa. Nesse sentido, pediu respostas às novas exigências dos leigos, que “desejam adquirir uma sólida formação filosófica, teológica, espiritual ou pastoral”, através de novas iniciativas. RECEITAS PARA A CRISE No seu longo discurso, o Papa pediu aos prelados que fomentem a “dimensão profética do testemunho (dos leigos)” no mundo, em particular, “evangelizando as culturas para fazer que a força do Evangelho penetre nas realidades da família do trabalho, dos meios de comunicação, do desporto, do tempo livre”. João Paulo II advogou a comunhão entre as diferentes realidades eclesiais. “Que todos, na legítima diversidade das sensibilidades eclesiais, tenham a preocupação permanente de participar plenamente da vida diocesana e paroquial, e de viver em comunhão com o bispo diocesano”, desejou. O acolhimento, a fraternidade, a valorização do Domingo e a promoção da família foram outras das receitas apresentadas, pelo Papa, para fazer frente à crise da Igreja Católica em França. “Não podemos assistir impotentes à ruína da família”, concluiu, recordando a necessidade de assistir aos pais, para que possam resolver eventuais crises conjugais e “dar assim, aos jovens, um testemunho da grandeza do amor fiel e único”.
