«A nova gramática é, no fundo, encontrar aqui novas linguagens, e novos caminhos, e novas plataformas de comunicação» – Rita Carvalho
Lisboa, 10 set 2026 (Ecclesia) – A diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), afirmou o objetivo das Jornadas Nacionais (JNCS) de Comunicação é “traçar uma estratégia comum”, a partir da “escuta e da realidade” dos participantes.
“Este encontro presencial será uma forma de recolhermos algumas informações sobre aquilo que é importante fazer, aquilo que já está bem feito, para fazer melhor, e para encontrarmos aqui uma estratégia comum para os próximos anos”, disse Rita Carvalho, em entrevista à Agência ECCLESIA, transmitida hoje, dia 10 de setembro, na RTP2.
A diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, da Igreja Católica em Portugal, explica que nas JNCS, no dia 24 de setembro, querem perceber “quais são os desafios, as dificuldades concretas de cada um” nas dioceses católicas, “ouvir aquilo que têm feito” e ajudar a “pensar um bocadinho” este contexto comunicativo, “que é muito volátil, que há dois anos era diferente, e será certamente diferente daqui para a frente”.
A presidência da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais da CEP foi eleita em abril deste ano, e após a constituição dessa equipa, foi anunciada a nova diretora do seu secretariado nacional, em junho; nestas JNCS 2026, que são “um marco importante”, querem juntar “os agentes de comunicação desta grande constelação” na Igreja Católica em Portugal, e dar continuidade a “um caminho” que estão a construir em “diálogo com quem trabalha” este setor nas diferentes dioceses.
“Temos procurado fazer, e queremos fazê-lo, um périplo e pelas dioceses conhecer aquilo que já está a ser feito nos secretariados, vamos percebendo que a realidade é muito díspar, há estruturas de comunicação que fazem um bocadinho de tudo, desde a comunicação institucional, a assessoria de imprensa, a produção de conteúdos religiosos no digital ou ainda em média mais tradicionais, portanto há um grande caminho para fazer”, acrescentou Rita Carvalho.
‘Por uma gramática do encontro’ é o tema das Jornadas Nacionais do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, a 24 de setembro, a partir das 09h30, no Seminário Diocesano de Leiria.
“A nova gramática é, no fundo, como é que conseguimos encontrar aqui novas linguagens e novos caminhos e novas plataformas de comunicação. Além da ‘gramática’, tem a palavra ‘encontro’, porque sentimos que, hoje em dia, estamos muito desencontrados, estamos muito virados para nós próprios, para o nosso trabalho, para a nossa missão, e precisamos de abrir caminhos. E a Igreja tem esta missão, também profética, de apontar para a frente, de abrir estratégias e caminhos”, desenvolveu Rita Carvalho.
“E como é que nós conseguimos, enquanto comunicadores, promover encontros entre pessoas, estar presentes também na sociedade, ter uma voz a contribuir para o bem comum, apontar caminhos de esperança, mas temos que começar a fazer isso entre nós, entre os agentes da comunicação, e depois, de certa forma, também virar para fora e impulsionar esta dinâmica a um nível mais abrangente”, realçou.

O “programa ambicioso” de apenas um dia das JNCS 2026 é composto por sete verbos – acolher; conversar; parar; escutar; partilhar; programar; celebrar –, segundo a entrevistada “é uma jornada de ação”, por isso, todos os que estão envolvidos na comunicação da Igreja – na parte mais institucional, na produção de conteúdos, pessoas que fazem de forma profissional, pessoas que fazem de forma voluntária -, mas também “qualquer pessoa que tenha interesse na comunicação e na presença da Igreja na comunicação” são convidados a participar, “não só assistir”, mas “ajudar a construir” o plano que querem que seja de todos.
Após o acolhimento, as Jornadas Nacionais de Comunicação Social começa com um “diálogo” entre o presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, D. Alexandre Palma, e o jornalista João Miguel Tavares em torno do tema ‘Reaprender a arte de conversar’.
Segundo Rita Carvalho, o bispo D. Alexandre Palma e João Miguel Tavares, “que conhece bem o meio da Igreja, mas tem uma visão da comunicação de fora, do jornalismo” vão conversar sobre “o estado da comunicação atual e como é que a Igreja pode também habitar este tempo”, com “provocações um ao outro”, e sem moderador.
O final da manhã e o início da tarde decorrem em diferentes dinâmicas de trabalho individual, “que cada comunicador possa fazer um momento de reflexão”, e seis grupos, uma “dinâmica mais prática” em método sinodal, com diferentes temáticas como “o que é o secretariado diocesano, a comunicação mais institucional, a criação de conteúdos, como é que se informa sobre religião num meio generalista, ou como é que se comunica nos meios eclesiais”.
“O que propomos é que as pessoas se dividam por um destes grupos, consoante a área onde se trabalham mais, que se escutem, que possam partilhar, e, depois, ter um trabalho de síntese, onde possam surgir propostas práticas e concretas, para médio, longo prazo, que depois serão levadas ao plenário”, explicou a entrevistada.
A diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais salienta que existirá, “certamente, uma diversidade de opiniões”, mas querem que os grupos exercitem o “poder de síntese”, e das dez opiniões, por exemplo, selecionem “as duas que são comuns” e que podem levar para todos, para apresentar em conjunto, e que “será muito importante” para depois a Comissão Episcopal deste setor continuar a construir esse caminho.
No dia anterior às JNCS 2026, quarta-feira, a Comissão Episcopal das Comunicações Sociais convida os diretores dos Secretariados Diocesanos para um jantar e uma reunião de trabalho, também no Seminário de Leiria.
As Jornadas Nacionais de Comunicação Social, da Igreja Católica em Portugal, têm um sítio online, para outras informações, inscrições e reservas de alojamento e refeições, em ecclesia.pt/jornadas2026.
PR/CB/OC


