Leão XIV encontrou-se com responsáveis dos cinco continentes

Cidade do Vaticano, 10 set 2026 (Ecclesia) – O Papa assinalou hoje, no Vaticano, os desafios colocados pelo desenvolvimento tecnológico, recordando que as inovações se mostram incapazes de travar as consequências das crises globais.
“Os desenvolvimentos das tecnologias da comunicação e da inteligência artificial abriram possibilidades que, até há poucos anos, nem sequer teríamos imaginado, mas, certamente, não podem libertar a humanidade do pecado e das suas consequências: demonstram-no tragicamente as crises que ela atravessa”, referiu Leão XIV, numa intervenção divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.
O Papa falava com 147 bispos dos cinco continentes, incluindo o português D. Pedro Fernandes (bispo de Portalegre-Castelo Branco), nomeados no último ano, que participam num curso de formação promovido por vários organismos do Vaticano.
“Nenhum bispo caminha sozinho”, destacou aos participantes.
A intervenção apontou a encíclica ‘Magnifica Humanitas’ como ” uma visão e um método para enfrentar o grande desafio da salvaguarda do humano na era da inteligência artificial”.
“Encorajo-vos a promover nas vossas dioceses percursos de reflexão e de diálogo, a fim de formar e apoiar quantos se desejam empenhar ao serviço da civilização do amor”, instou o Papa.
Leão XIV exortou os presentes a exercerem a sua autoridade como “um serviço de amor”, dando prioridade à proximidade pastoral e ao cuidado com os sacerdotes das respetivas dioceses.
“Amai as pessoas que o Senhor vos confiou. Aprendei os seus nomes, escutai as suas histórias, entrai, sempre que puderdes, nas suas casas, rezai com elas. Especialmente nas jovens Igrejas, muitas vezes a presença do bispo diz muitíssimo, antes mesmo das suas palavras”, recomendou.
Tende uma atenção particular para com os mais idosos e os doentes. Fazei-os sentir que são preciosos, que a Igreja lhes está grata e que o bispo não os esquece. Por vezes, basta um telefonema, uma visita, uma palavra afetuosa da vossa parte.”

O Papa evocou o pensamento de Santo Agostinho sobre o compromisso profundo com a comunidade diocesana, citando a frase “para vós sou bispo, convosco sou cristão”.
Leão XIV dedicou particular atenção aos responsáveis das “Igrejas jovens”, desafiando-os a cultivarem um coração missionário que vá para além do limite dos membros habituais na vida das comunidades.
“O bispo missionário tem um coração aberto a todos: não apenas àqueles que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras confissões, aos crentes de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade”, sustentou.
A audiência no Vaticano encerrou os trabalhos do curso de formação ‘Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje’, promovido por três Dicastérios da Santa Sé.
OC
