Angola: Bispos condenam violência partidária no Uíge e Cazombo

Conferência Episcopal apela à ação do MPLA e UNITA, defendendo «mecanismos céleres e funcionais de resolução de conflitos»

Luanda, 02 set 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestou “total repulsa” pelos incidentes de intolerância política e violência registados durante o mês de agosto em várias localidades angolanas.

“Chocam-nos profundamente os recentes acontecimentos que tiveram lugar no corrente mês no Uíge, no Cazombo e outros similares, mesmo se nem todos tivessem beneficiado do mesmo destaque nos meios de comunicação social. Estes acontecimentos chocantes tornam clara a urgência de eliminarmos as suas causas ou, pelo menos, de prevenir que se repitam”, referem os bispos católicos, numa nota pastoral datada de 31 de agosto.

Os confrontos físicos envolveram militantes do MPLA e da UNITA e resultaram em “em ferimentos graves e tragédias humanas”, destacam os responsáveis católicos, que expressam “profunda preocupação” perante a escalada de tensão no país.

Na província do Uíge, a violência deflagrou quando os simpatizantes da UNITA tentavam realizar um ato político para assinalar o aniversário do partido.

Estes episódios, adverte a CEAST, “tornam clara a urgência de eliminar as suas causas ou, pelo menos, de prevenir que se repitam”.

A declaração, assinada pelo presidente da CEAST, D. José Manuel Imbamba, dirige um apelo direto às forças políticas, “em especial ao MPLA e UNITA”, para que estabeleçam “mecanismos céleres e funcionais de resolução de conflitos” em todos os municípios e províncias.

“Pedimos às autoridades e a todos os envolvidos que, guiados pelo espírito de justiça restaurativa, não meçam esforços para mitigar os impactos desses acontecimentos e as feridas abertas”, acrescenta o texto.

O episcopado destaca que este modelo de justiça “absorve e ultrapassa a lei positiva”, na medida em que procura retirar “lições dos acontecimentos” para reverter o percurso de violência e construir a “paz social”.

Apesar do cenário de crispação, os responsáveis católicos reconhecem que o povo angolano tem vindo a progredir no “convívio como irmãos” e admitem que o passado do país “já foi mais sombrio do que o nosso presente”.

A nota pastoral, intitulada ‘A justiça semeia-se na paz, pelos obreiros da paz’, conclui que a urgência de eliminar as raízes destes conflitos obriga a uma reconciliação alargada.

OC

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