Jesuítas: Casa da Torre oferece «pastoral de fronteira» e exercícios espirituais inacianos em Soutelo

Espaço tem portas abertas para acolher quem procura Deus no silêncio

Foto: Agência ECCLESIA/HMVila Verde, 01 set 2026 (Ecclesia) – A Casa da Torre, localizada na localidade de Soutelo, funciona como Centro de Espiritualidade e Cultura da Companhia de Jesus para acolher quem procura o silêncio num espaço natural a dez minutos de Braga.

A instituição jesuíta promove uma “pastoral de fronteira”, abrindo as portas a crentes, a pessoas afastadas da Igreja e a indivíduos em simples busca de interioridade e sentido.

“Aquilo que está à procura de Deus, ou à procura de saciar uma certa sede que encontra em si, para a qual ainda não deu um nome, e que nos vem bater à porta, é alguém que pode ser inesperado”, explicou à Agência ECCLESIA o padre Francisco Cortês Ferreira, diretor da casa.

O religioso descreveu o espaço como um oásis preparado para travar a dispersão e a ansiedade contemporâneas, proporcionando acompanhamento em situações de luto, desorientação profissional ou necessidade de descanso espiritual.

“É, sobretudo, um espaço aberto para todos aqueles que se queiram vir, encontrar com o Senhor, no fundo, discernir a presença de Deus na vida deles, através do silêncio, através dos espaços amplos”, assinala o entrevistado.

A oferta formativa central baseia-se nos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, cujo modelo original de um mês é atualmente condensado e adaptado para durações de três, quatro ou oito dias.

A presença de uma comunidade residente viabiliza a personalização do calendário e a criação de propostas inovadoras, como retiros desenhados para a participação simultânea de pais e filhos a ritmos próprios.

A propriedade transitou para a tutela da Companhia de Jesus na sequência do testamento deixado pelo segundo Visconde da Torre, falecido no ano de 1912.

O edifício acolheu o noviciado e o juniorado da congregação entre as décadas de 1950 e 1970, período em que adotou a designação local de “Seminário da Torre”, conservando dessa época de formação uma biblioteca com cerca de 80 mil volumes.

A vocação cultural do centro estimula o diálogo da fé com as dimensões concretas da vida humana, materializando-se em atividades laboratoriais focadas na relação entre a arte cinematográfica e a espiritualidade.

A envolvente paisagística atua como facilitadora da distensão interior, graças à disponibilidade de vários hectares de bosque e vinha localizados na confluência dos rios Alme e Cávado, às portas do Gerês.

“Esta casa tem uma amplitude de olhar, de presença, que por si só é suficiente quase para baixar o ritmo cardíaco e espiritual; ou aumentar o ritmo espiritual e baixar o ritmo cardíaco”, notou o padre Francisco Cortês Ferreira.

As infraestruturas rejeitam o formato de unidade hoteleira para salvaguardar a sua missão, mas asseguram a logística integral para os retirantes com a disponibilidade de 90 quartos dotados de 120 camas.

A dimensão do espaço permite acolher grandes grupos, dispondo de refeitórios com capacidade para servir até 150 pessoas em simultâneo.

O complexo religioso oferece ainda entre seis a sete capelas e igual número de salas de trabalho, além de uma ala nova concebida para o serviço de direção e acompanhamento espiritual.

“Conhecer um jesuíta verdadeiramente só é possível para quem frequenta os exercícios espirituais”, assegurou o diretor da Casa, ao identificar esta prática como o coração e a gramática comum a todas as missões da Companhia de Jesus.

A emissão na RTP2 encerrou o ciclo dedicado ao tema ‘Habitar o silêncio’, que o Programa ECCCLESIA apresentou nas últimas semanas.

HM/OC

Partilhar:
Scroll to Top