Sem medo de ter saudades

José Luís Nunes Martins

Foto de Hulki Okan Tabak na Unsplash

Em cada tempo de recomeço, importa olhar o passado para tentar compreender o caminho, mas também olhar para o futuro, porque não se vive sem olhar em frente.

Os sonhos integram todas as saudades, levando-as connosco e cada vez mais longe.

Há quem prefira não sofrer com perdas e, por isso, a nada se apega. Ora, se é verdade que quem não ama não sofre, também será verdade que só não sofre porque não vive. Amar é a única forma de alguém se realizar.

Há quem julgue que, confiando apenas em si mesmo, chegará mais longe. Na verdade, até pode chegar, mas sem ninguém… e que tristeza é a solidão de quem descobre que, afinal, por mais que tenha alcançado, sozinho, ninguém chega a ser feliz.

Sonhemos sem medo de nunca alcançar o que sonhamos ou de perder o que conquistámos. Sonhemos sem medo de nos tornarmos alguém com ainda mais saudades.

Aquilo que temos, amanhã, já terá passado, mas o que somos será a base do que seremos. A perda edifica-nos, constrói-nos, revela-nos o quanto amamos.

A saudade contém dor, porque nasce de uma ausência, mas também gratidão, porque é a prova de que algo magnífico existiu. A saudade dói, mas é um tesouro que se enriquece a cada dia.

Talvez seja bom sermos capazes de valorizar o dia de hoje, porque muito em breve tudo isto fará parte do passado. Cada instante é irrepetível, e quanto melhor vivermos, maior será a saudade.

E que tristeza será a de quem não sente saudades, mas apenas arrependimentos…

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

Partilhar:
Scroll to Top