Évora Sacra 27: Projetos para a Capital Europeia da Cultura convidam a «parar para pensar» e a visitas «com vagar e com fé»

Arquidiocese prepara programa, com início no dia 2 de fevereiro, que valoriza a comunicação do património, promove o diálogo «da porta aberta que abraça todos» e não esquece o «Pão de Rala»

Lisboa, 28 ago 2027 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Évora criou o projeto Évora Sacra 27 com propostas para quem visita a cidade Capital Europeia da Cultura em 2027, centradas na valorização do património, da cultura e gastronomia, convidando a “parar para pensar”.

Com o lema “Com vagar e com fé”, o projeto Évora Sacra 27 dá continuidade ao tema da Capital Europeia da Cultura, o vagar, e tem em construção um programa que valoriza a comunicação, com o propósito de marcar presença não com o religioso “de sacristia”, mas “da porta aberta que abraça todos”.

“Nas nossas propostas temos ideias de conexão, de partilha, de encontro. Porque não pode ser de outra maneira. O religioso não é o religioso da sacristia. É o religioso da porta aberta que abraça todos, num propósito de encontro, de diálogo e de descobrir sempre caminhos novos e novos territórios. E essa é a nossa opção de fundo.  É um vagar para tudo isto”, afirmou o padre Mário Tavares, que coordena o “Évora Sacra 27”.

Para o diretor do Departamento da Pastoral da Cultura e Bens Patrimoniais, é necessário “fazer certas roturas”, recuperar o sentido “muito contemplativo” do alentejano e parar, não para não fazer nada, mas “parar para pensar e fazer as perguntas”.

O vagar é também ter a ousadia de parar: vamos pensar pela nossa cabeça, vamos levantar as questões fundamentais que hoje já não estão a levantar-se”.

Com o propósito de parar para pensar “com vagar e com fé”, o projeto Évora Sacra 27 tem o objetivo de valorizar a dimensão pastoral e comunicativa do património religioso da arquidiocese, na certeza de que “o património é, em si mesmo, um grande anúncio”, e tem “uma missão a cumprir” no acolhimento de todos os que o visitam.

“Queremos que o património religioso eborense seja uma forma de anunciar, através da via da beleza, que seja uma forma de contacto com o sagrado, de descoberta dos nossos valores, concretamente cristãos”, afirmou o padre Mário Tavares.

O diretor do Departamento da Pastoral da Cultura e Bens Patrimoniais referiu que o património religioso eborense é “uma rede”, que inclui as grandes igrejas “de referência”, os conventos, e também os “nichos inesperados, debaixo das arcadas”, as “pequenas capelas”, as alminhas.

O padre Mário Tavares disse que está em curso a elaboração de uma rota para propor a quem visita a cidade de Évora, indicando que, para além de locais mais conhecidos, “há muito mais para ver”, e com uma aposta na dimensão da comunicação.

“Quem nos visita, hoje, visita já com a linguagem do tempo, visita-nos com o ‘smartphone’ na mão, e, ao visitar, ao entrar no nosso espaço, temos que estar preparados para dizer o espaço, anunciar o espaço”, apontou.

O responsável pelo projeto Évora Sacra 27 referiu que está em execução um projeto de comunicação para os vários momentos e espaços, com uma identidade única, para que, quem visita, possa conhecer “a mensagem e a riqueza patrimonial do lugar”,  a sua história e o que “continua a dizer a quem visita”.

O padre Mário Tavares adiantou ainda que o início do programa Évora Sacra 27 vai acontecer no dia 2 de fevereiro de 2027, com a realização de um colóquio que vai contar com a presença do núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, o cardeal D. José Tolentino Mendonça e o anterior presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o tema “O vagar e a cidade”.

O acolhimento e a informação sobre o património religioso eborense é uma das dimensões do programa Évora Sacra 27, que vai também incluir exposições, publicações e a valorização de tradições culturais em torno da presença católica na região.

O padre Mário Tavares recorda a “Escola de Música da Sé de grande referência”, que vai ser revitalizada através de concertos que retomam o repertório do século XVII.

Durante o ano de 2027, vai ser promovido também um Festival Internacional de Órgão, em parceria com Igreja de São Francisco e com a presença de compositores e grandes organistas internacionais.

A dimensão musical inclui também o canto alentejano, nomeadamente com o Coral do Carmo, do padre Cartageno.

“Tudo isso queremos valorizar em termos de instrumento, de voz, de clássico, de atual”, afirmou.

O padre Mário Tavares lembrou também o “grande programa de exposições”, para valorizar “figuras de Évora”, como o pintor da Cartuxa frei Miguel.

O coordenador do projeto Évora Sacra 27 referiu ainda que a comunidade dos jesuítas na arquidiocese foi desafiada a elaborar um “percurso de diálogos”, que tem por nome “Pátio do Espírito Santo” e que, todos os meses, vai “abordar um tema e dialogar, em forma de fórum, de academia”, para abordar temas que “vão desde a ecologia à economia, à Europa”.

“Temas de grande dimensão e que vão ser tratados mensalmente no programa que já está delineado e que tem a chancela da comunidade dos padres jesuítas”, sublinhou.

O padre Mário Tavares referiu depois que estão em contacto com a Associação Lar Doce Ler para promover “colóquios com pessoas no mundo da literatura”.

A elaboração de um “grande livro da catedral” é também um projeto que está em curso, para mostrar “riqueza da catedral, que tem dimensões muito interessantes, até na sua dimensão nacional”.

Durante o Évora Sacra 27 vão ser valorizados também os doces concentuais, nomeadamente através do Convento do Calvário, onde nasceu o “Pão de Rala” e onde está atualmente uma “comunidade religiosa muito ativa, muito dinâmica, muito jovem”.

O padre Mário Tavares anunciou ainda a presença dos bispos de Portugal em Évora, durante o ano em que é Capital Europeia da Cultura, para um momento de trabalho e de “fruição da cidade”.

PR

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