Organismos geneticamente modificados merecem forte contestação das organizações católicas ligadas a países do Sul do Mundo A moratória aos transgénicos na União Europeia poderá terminar nos próximos três meses. Este é o prazo que o Conselho de Ministros Europeu tem para votar uma proposta de decisão que lhe foi ontem remetida pela Comissão Europeia, relativa à importação de uma variedade de milho geneticamente modificado, para consumo humano. A posição da Comissão Europeia é a de que, com a nova regulamentação para a aprovação, rotulagem e traceabilidade dos transgénicos, entretanto aprovada, não há mais razões para manter as portas da UE fechadas. A respeito desta matéria o Vaticano já organizou um Seminário de Estudos, promovido pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, com os responsáveis católicos a darem mostras de muitas cautelas nesta área. “O campo dos OGM (organismos geneticamente modificados) não deve ser abandonado, ainda que necessite de muita atenção. É preciso continuar a trabalhar” disse o Cardeal Renato Martino, na conclusão do encontro. O encontro foi definido como “um primeiro tempo de estudo”, mas o Cardeal Martino reafirmou a disponibilidade do Vaticano para oferecer “a sua própria contribuição, iluminar as consciências, a fim de que as biotecnologias vegetais sejam uma oportunidade para todos e não uma ameaça”. As congregações missionárias, com actividade nos países mais pobres do mundo, consideram que a autorização dos transgénicos destruiria o que resta da agricultura artesanal nesses países e provocaria desequilíbrios ainda maiores a nível do mercado.
