«Meeting de Rimini»: Encontro é uma «bomba de oxigénio» num mundo marcado por «extremismos» e «dificuldade de diálogo»

Membros do movimento Comunhão e Libertação abordam 47º edição do ‘Encontro para a Amizade entre os Povos’, que se realiza em Itália, até 26 de agosto 

Lisboa, 24 ago 2026 (Ecclesia) – Rosário Lupi Bello, do Movimento Comunhão e Libertação (CL), destacou a dimensão de encontro que o ‘Meeting de Rimini’, que decorre até 26 de agosto, em Itália, oferece a um mundo que vive tempos de “extremismos”.

“Hoje em dia, por maioria de razão, em que vemos estas polarizações, em que parece que já não há um território comum onde nós nos possamos entender, não há uma linguagem comum, parece, devido a estas […] radicalizações, esta dificuldade de diálogo, chegar ali é como uma bomba de oxigénio”, afirmou em entrevista ao programa Ecclesia, emitido hoje, excepcionalmente, às 11h30.

A 47ª edição do ‘Meeting de Rimini’, do movimento Comunhão e Libertação, iniciou-se a 21 de agosto com o tema “O amor que move o sol e as outras estrelas” e apresenta um programa com debates, exposições, apresentações artísticas, atividades culturais, torneios desportivos e eventos para os mais jovens.

A iniciativa assume-se como um espaço internacional de diálogo e reflexão transversal que procura debater os grandes desafios da sociedade, da cultura e da fé.

Segundo Rosário Lupi Bello, quem participa no ‘Encontro para a Amizade entre os Povos’, “volta a ter esperança” e a dizer que “é possível que o ser humano se encontre, porque há um território misterioso dentro de cada homem que é comum”.

Leonor Abranches Pinto, Rosário Lupi Bello e Manuel Lupi Bello

Na primeira vez que participou no ‘Meeting de Rimini’, a entrevistada verificou que é “mesmo possível estabelecer diálogo” com qualquer pessoa desde que “tenha vontade de entrar nessa conversa”.

“E, portanto, as relações mais improváveis podem acontecer. Podemos ter uma pessoa judia a conversar de maneira harmónica com um muçulmano, podemos ter a mãe de uma vítima a conversar diante até do próprio causador do seu sofrimento”, exemplificou Rosário Lupi Bello.

“O impossível torna-se possível porque se parte daquele ponto unitário, que neste caso é mais fácil de perceber porque é este amor que, no fundo, vem de Deus e, partindo daí, não se receia nada”, salientou.

Também do movimento Comunhão e Libertação, Manuel Lupi Bello destaca que o objetivo deste fórum internacional “não é ser o congresso de uma confissão religiosa”, mas mostrar como a amizade pode desenvolver toda a dimensão do “relacionamento humano”, alcançando a “concórdia” e a “paz”.

O programa Ecclesia contou também com a participação de Leonor Abranches Pinto, do movimento Comunhão e Libertação, que recorda a participação no ‘Meeting de Rimini’ em 2022 no papel de voluntária.

Os voluntários são, de facto, mesmo importantes e percebe-se que também participam por este convite e este interesse em construir também este lugar no mundo, um lugar onde é possível o diálogo, onde há mais do que só um olhar. ‘Eu sou deste lado, tu és deste, eu sou católica, tu és ateu’”, afirmou.

A jovem garante que foi uma “ótima experiência” e explica que a presença no encontro se relacionou com a apresentação de uma exposição sobre o poeta Fernando Pessoa: “Convidaram um grupo de portugueses e eu tive a sorte também de poder organizar”.

Este ano, o ‘Meeting de Rimini’ contou com a participação do Papa, no sábado, onde afirmou que o mal não se combate com o mal e que, “assim na terra como no céu, o amor é a lei da vida, o método da redenção, do Messias crucificado”.

“Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade”, referiu.

Manuel Lupi Bello considera que a presença de Leão XIV no encontro “confirma a importância” da iniciativa, lembrando que esta nasceu para transmitir a ideia de que “não há um dualismo”, isto é, não se é apenas religioso quando se vai à Missa, destacando a presença da religião em todas as áreas da vida.

LS/LJ/PR

Rimini: «Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia», pede o Papa

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