Oração de quem quase desespera

José Luís Nunes Martins

Foto de Thomas Vitali na Unsplash

Senhor Jesus, neste dia em que a minha existência me parece mais vazia e insignificante, peço-Te:

Que eu aprenda a esperar, com a paciência de quem sabe que entre a sementeira e a colheita há sempre muitos dias e noites.

Que eu saiba fazer o que devo e não o que quero, porque só assim me torno mais digno daquilo que sonho merecer.

Que eu aprenda a viver sem compreender os porquês e os para quês de tudo o que se passa na minha vida, confiando que tudo pode e deve concorrer para o maior de todos os bens.

Que eu continue a dar paz e alegria a quem mais delas precisa, mesmo quando não as tenho nem as sinto dentro de mim.

Que eu tenha bem presente que os meus desejos e fomes nascem da tentativa de esquecer as minhas necessidades mais profundas: amor, pertença e sentido. E tudo isto porque me empenho até ao limite em procurar saciar outras fomes mais superficiais: prazer, poder e dinheiro.

Que eu não desespere, mesmo contra todas as evidências. Que o meu coração se fixe na rocha da fé e que assim, apesar de vacilar, eu não me deixe arrastar pelos ventos e pelas marés do mundo.

Que todos aprendamos que ninguém é nada sozinho, pois as fraquezas humanas nos forçam a depender uns dos outros, e isso é, apesar de tudo, muito bom.

Que eu seja feliz, mesmo por entre todas as tristezas de cada um dos meus dias.

Que eu saiba, no mais profundo da minha alma, que Deus me ama como sou, mas me sonha ainda melhor!

 

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

 

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