D. Armando Esteves Domingues apresenta o Projeto Pastoral Diocesano 2026-2027, que se insere no itinerário de renovação até 2034
Angra do Heroísmo, Açores, 20 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo da Diocese de Angra afirmou na introdução ao Projeto Pastoral Diocesano 2026-2027 que as comunidades católicas devem abandonar o “comodismo”, olhar “para fora dos muros” e construir pontes para “chegar à outra margem”.
Na apresentação do documento, publicado na página da internet do portal Igreja Açores, D. Armando Esteves Domingues pede “a cada um a ousadia das palavras e gestos que constroem pontes e acabam com distantes na outra margem”.
Com o título “Como chegar à outra margem?”, o Projeto Pastoral para o Ano Pastoral 2026-2027 é o segundo do primeiro triénio do itinerário de renovação até 2034, ano em que a diocese de Angra assinala 500 anos de fundação.
Todos são convidados a olhar para fora dos muros da igreja e a construir com os irmãos as pontes necessárias para unir as margens que aparentemente nos dificultam a vivência cristã expressa numa vida fraterna e capaz de descobrir e valorizar tudo o que nos une”.
D. Armando Esteves Domingues lembra que, no primeiro ano, foi promovida uma “reflexão interna e renovação das estruturas sinodais”, sob o lema “Cristão, que dizes de ti mesmo?”, apontando agora para uma “uma nova etapa” para “assumir a missão de encontrar quem vive na outra margem”.
O bispo de Angra aponta como objetivo “enfrentar as luzes e as sombras da Igreja, ir ao encontro dos afastados e valorizar a comunidade”, através da conversão, do acolhimento e da missão.
“A verdadeira fé cristã não é um estado adquirido e estático de perfeição, mas um permanente estado de conversão, onde o cristão procura, diariamente, recomeçar, consciente da misericórdia e graça de Deus”, afirma.
D. Armando Esteves Domingues refere depois que “o acolhimento é a concretização prática de amar antes de julgar ou corrigir, de anunciar a Palavra antes de distribuir sacramentos, de proporcionar espaços de escuta antes de impor, para que os que chegam da ‘outra margem’ possam narrar a sua história existencial com feridas para obter a cura”.
‘Passar à outra margem’ não é apenas uma transição física, mas a Missão fundamental da Igreja: fazer-se ao mar do mundo contemporâneo e arriscar o encontro com o outro, confiando que o próprio Cristo navega no mesmo barco e encurta distâncias entre margens”.
O bispo de Angra sublinha que “a Igreja só é verdadeiramente Igreja quando sai para construir laços de unidade com todos, todos, todos” e aponta para a necessidade de ter a consciência de que “muitos cristãos se afastaram ou vivem uma relação frágil, ferida ou intermitente com a Igreja e que só o amor pode sanar estas feridas”.
Para “chegar à outra margem”, D. Armando Esteves Domingues afirma que é necessário “abandonar o ‘comodismo’ das comunidades, que muitas vezes se encontram paralisadas e sem novos desafios.
O bispo de Angra indica que a “outra margem” pode estar “nos ambientes sociais fragilizados e marginalizados” pela indiferença, nas “famílias enfraquecidas e em sofrimento”, nas “comunidades, estruturas e movimentos eclesiais, muitas vezes sem a seiva do amor que os une para a comum missão de evangelizar”, nos “ambientes daqueles que a Igreja ou a sociedade colocaram fora dos espaços de escuta” ou nas “vidas daqueles batizados cujos percursos de fé sofreram ruturas, mas que procuram ‘recomeçar’ a sua caminhada”.
O documento do Projeto Pastoral Diocesano para o Ano Pastoral 2026-2027 indica também propostas de ação a partir dos objetivos apontados, catequeses para a formação sobre os temas conversão, acolhimento e missão, os objetivos da equipa sindal da Diocese de Angra para o próximo ano pastoral, as propostas de formação da Escola Diocesana de Formação, assim como o calendário diocesano.
PR

