Viana do Castelo: «Permaneçamos Humanos», pede bispo diocesano, para a Romaria de Nossa Senhora da Agonia
D. João Lavrador une-se em oração pelas «vidas perdidas no mar», famílias em sofrimento, e deseja que «o tempo de paz e de regresso a casa» da festa «perdure todo o ano»

Viana do Castelo, 15 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo de Viana do Castelo espera que a Romaria de Nossa Senhora da Agonia, que começa hoje, até 23 de agosto, ajude a encontrar caminhos para ‘uma paz desarmada e desarmante’ nas “famílias, comunidades e nas relações”.
“Sempre que a Romaria de Nossa Senhora da Agonia ocupa o coração de Viana e, nele, o coração de todo um país, regressam duas perguntas: Como podemos construir uma cidade? E como podemos construir e festejar juntos a Humanidade que somos?”, começa por escrever D. João Lavrador, na mensagem enviada à Agência ECCLESIA.
O bispo de Viana do Castelo salienta que durante a Romaria de Nossa Senhora da Agonia, mesmo estando na capital do Alto Minho, cantam ‘havemos de ir a Viana’, porque uma festa “é sempre a oportunidade de habitar o mundo de modo mais pleno.
“A cada momento da Romaria, anunciamos que a Humanidade ‘renasce não graças à iniciativa de uma única pessoa, mas através da responsabilidade partilhada por todo o povo’, acrescenta.
O bispo da diocese católica do Alto-Minho observa que a relação com a vida “parece estar hoje em crise”, e tudo o que se apresenta como limite “parece ser interpretado como um defeito a corrigir”, e não como um espaço para amadurecer, mas, anualmente, “a Senhora da Agonia recorda que a Humanidade ‘não floresce apesar dos limites’, mas através deles.”
Segundo D. João Lavrador, tende-se a pensar que “a finitude empobrece o ser humano”, mas a Senhora da Agonia relembra que “é a vulnerabilidade que torna capazes de intuir uma fraternidade maior”, e “quando a eficiência se torna a medida de tudo” traz à memória que “quem ama não pode evitar passar por um caminho de ‘liberdades e quedas, sonhos e desilusões’.
“A Senhora da Agonia, passando pelas ruas da cidade, acolhendo tantos devotos no interior do santuário e olhando para cada um, chora com quem tem medo de chorar, abraça quem tem medo de abraçar, alegra-se com quem tem medo da alegria.”
“Permaneçamos Humanos”, é o pedido do bispo da Diocese de Viana do Castelo, “no meio de uma existência cada vez mais ameaçada pela artificialidade”, e realça que, como cristãos, sabem que só fiéis à Humanidade podem ser “verdadeiramente fiéis a Deus”.
D. João Lavrador deseja que a Romaria de Nossa Senhora da Agonia ajude a encontrar caminhos para ‘uma paz desarmada e desarmante’ “nas famílias, nas comunidades e nas relações”, e que o “tempo de paz e de regresso a casa” que a romaria representa “perdure todo o ano”, as festas começam este sábado, decorrem entre 15 e 23 de agosto.
O bispo diocesano termina a sua mensagem com “um obrigado e uma promessa de oração”, agradece às pessoas de “quem depende tudo” aquilo que irão viver na romaria, e une-se “em oração por todas as vidas perdidas no mar”, por aqueles que partiram e pelas suas famílias que, “no meio de um enorme sofrimento, continuaram a acolher a vida e o futuro”.

As festas em Viana do Castelo nasceram da devoção dos pescadores que do mar avistavam em terra a igreja da Senhora d’Agonia, a quem pediam proteção; como momentos altos destacam-se as procissões à cidade, onde a imagem da Senhora d’Agonia, acompanhada de outros andores, percorre as ruas de Viana, e a Procissão ao Mar.
CB

