O preço de escolher bem

José Luís Nunes Martins

Imagem de wirestock no Magnific

O mal apresenta-se-nos sob a aparência do bem. Desvia-nos do melhor, levando-nos a trocar o melhor por aquilo que é apenas bom. É subtil, mas eficaz, porque nos vai afastando do caminho do bem supremo.

A maioria das escolhas decisivas das nossas vidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois ou mais bens. Haverá algum mal em escolher um bem que, embora não seja o maior, continua a ser um bem? Sim. Ao fazê-lo, renunciamos a um bem maior.

Há situações em que somos forçados a escolher entre dois ou mais males. Todas as opções são más, mas aqui é ainda mais evidente que temos o dever de escolher o mal menor.

Importa ter a coragem de escolher o bem maior e de renunciar aos bens menores. É sempre duro assumir que deixar boas opções para trás faz parte do preço a pagar para alcançar o melhor. Afinal, é como se apenas merecesse o melhor quem fosse capaz das renúncias que isso implica.

É interessante que associemos a ideia de liberdade a algo muito agradável. A verdade, porém, é que a liberdade não é aquilo que sentimos depois de escolher bem; é aquilo que torna essa escolha possível. Todos somos livres e isso não é uma escolha. Estamos assim condenados a ser responsáveis pelas escolhas que fazemos – as boas e as más.

Somos responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos aos outros e a nós próprios. Mais do que escolher um bem, devemos procurar escolher sempre o melhor de todos os bens. Só assim estaremos a escolher bem.

 

Partilhar:
Scroll to Top