Moçambique: Casa de religiosas foi assaltada em Nampula, duas consagradas e guarda foram assistidos no hospital

Arcebispo D. Inácio Saure denuncia  «aumento exponencial» da criminalidade no país

D. Inácio Saure (imagem de arquivo)

Lisboa, 10 ago 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Nampula, em Moçambique, alerta que “a criminalidade está a aumentar exponencialmente” neste país, após um assalto à casa de umas religiosas em Mecuburi, duas consagradas e o guarda das instalações foram agredidos, este sábado.

“A criminalidade está a aumentar exponencialmente em Nampula e no país em geral”, alertou D. Inácio Saure, arcebispo de Nampula, à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), em declarações enviadas esta segunda-feira, 10 de agosto, à Agência ECCLESIA.

O arcebispo de Nampula, segundo as informações recolhida, adianta que nenhuma das religiosas terá sido violentada sexualmente, ao contrário do que foi divulgado nas redes socais, e explica que não considera “oportuno fazer grandes pronunciamentos sobre o assunto”, neste momento, divulga o secretariado português da AIS.

A fundação pontifícia explica que “um grupo de malfeitores” escalou o muro da casa das religiosas, e introduziu-se na residência, que funciona também como um lar de meninas, na madrugada deste sábado, pouco depois da meia-noite.

D. Inácio Saure confirmou “o assalto e agressões a religiosas” na casa que fica na sede do distrito de Mecuburi, na arquidiocese e província de Nampula, este sábado, dia 8 de agosto, e adiantou que “um guarda das religiosas, por se encontrar em perigo de vida, foi o primeiro a ser evacuado para o hospital central de Nampula”.

“A seguir, as duas religiosas (quenianas) também foram evacuadas para o mesmo hospital, onde já tiveram os primeiros tratamentos, mas não ficaram hospitalizadas, encontrando-se agora numa comunidade de religiosas nesta cidade de Nampula”, acrescentou o arcebispo moçambicano.

Segundo a Ajuda à Igreja que Sofre, Moçambique tem vindo a registar um aumento de violência, “não só como consequência dos ataques terroristas do grupo jihadista Estado Islâmico”, ativo essencialmente na província de Cabo Delgado, no norte do país lusófono, desde 2017, “mas também por causa da instabilidade vivida após as eleições presidenciais de 2024”.

“Há ainda um elevado índice de criminalidade em Moçambique, um dos mais significativos em todo o continente. E a Igreja não tem escapado a essa realidade”, acrescentou a AIS, recordando que, em junho de 2025, ocorreu um assalto à residência das Irmãs Mercedárias do Santíssimo Sacramento, em Pemba.

A Fundação pontifícia AIS lembra que lançou em Portugal uma campanha de ajuda de emergência a Moçambique, um dos objetivos “é sensibilizar os portugueses” para a necessidade de apoiar a sobrevivência das famílias deslocadas, forçadas a fugir, e que “face à ameaça terrorista tiveram de abandonar casas e campos agrícolas, vivendo agora apenas da caridade”, e contabiliza que com 45€ (quarenta e cinco euros) “é possível alimentar uma família durante 1 mês”.

CB

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