Liberdade Religiosa: Fundação Ajuda à Igreja que Sofre alerta para perseguição aos cristãos, em dia de oração

Catarina Martins Bettencourt afirma que «invasão das terras bíblicas de Nínive não pode ser esquecida»

Lisboa, 06 ago 2026 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre em Portugal alerta para as comunidades cristãs ameaçadas por grupos jihadistas, como em Moçambique, quando recorda as mais de 100 mil pessoas que fugiram do Estado Islâmico, no Iraque, há 12 anos.

“A invasão há 12 anos das terras bíblicas da Planície de Nínive não pode ser esquecida. O sofrimento por que passaram tantos milhares de irmãos nossos é também um aviso para aquilo que, infelizmente, continua a suceder no mundo”, disse a diretora do secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), me informação enviada, esta quinta-feira, à Agência ECCLESIA.

Para a Fundação pontifícia AIS “é importante” que o mundo não esqueça o que aconteceu no dia 6 de agosto de 2014, nas terras bíblicas da Planície de Nínive, no Iraque, porque a ameaça às comunidades cristãs por parte de grupos jihadistas é uma realidade hoje, e Catarina Martins Bettencourt afirma que “Moçambique é exemplo disso”.

“O que se está a passar em Moçambique, com ataques constantes por parte dos terroristas do grupo Estado Islâmico, precisamente os que invadiram e ocuparam Nínive, é sinal disso. Passou já mais de uma década, mas o que vemos é que a ameaça aos cristãos se desdobrou entretanto para imensos países, deixando de estar centrada  no Médio Oriente mas transferindo-se para África, onde hoje é uma realidade cruel na vida de milhões de pessoas”, desenvolveu.

Segundo a AIS, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017, com ataques recorrentes contra civis, infraestruturas e atividades económicas, que já causou mais de 6300 mortos, e mais de 1 milhão de deslocados, num dos países mais pobres do mundo; “mais de 300 católicos” foram assassinados, “a maioria por decapitação”, e destruíram 117 igrejas e capelas, 23 locais de culto em 2025.

Vários secretariados da Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre celebram hoje, 6 de agosto, um ‘Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos’; o secretariado português convida à oração por todas as vítimas de intolerância religiosa.

“Neste dia 6 de Agosto, a Fundação AIS convida todos os portugueses a lembrarem o que aconteceu há 12 anos nas terras da Planície de Nínive. É preciso não esquecer e é preciso sempre denunciar ao mundo que este foi um dos maiores ataques nos tempos modernos contra uma comunidade religiosa; a melhor maneira de homenagearmos os cristãos perseguidos, a melhor maneira de dizermos ao mundo que temos de defender a liberdade religiosa como um direito básico e inalienável do ser humano é rezando” – Catarina Martins Bettencourt

Foto: AIS

Há 12 anos, a chegada dos terroristas do Daesh, o grupo jihadista do autoproclamado Estado Islâmico, provocou a fuga a cerca de 100 mil pessoas, a sua esmagadora maioria cristãos, das terras bíblicas da Planície de Nínive, o “momento mais dramático” foi na noite de 6 para 7 de agosto de 2014.

“Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram das suas casas sem nada, apenas com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas a precisar de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar”, recordou o patriarca emérito caldeu, cardeal Louis Raphael I Sako.

CB/OC

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