Sismos de 24 de junho deixam marcadas «dolorosas» na população

Caracas, 05 ago 2026 (Ecclesia) – A Cáritas da Venezuela publicou hoje o balanço dos 40 dias de operação humanitária na sequência do duplo terramoto de 24 de junho, avisando que a tragédia está a entrar numa etapa de sofrimento silencioso.
“A emergência entra numa fase menos visível, mas não menos dolorosa”, advertiu a organização católica no seu quinto boletim informativo centrado na campanha solidária ‘Após o tremor, o amor’.
O documento técnico contabiliza a receção de 22 391 toneladas de ajuda humanitária até ao primeiro dia de agosto, revelando que 85% deste volume já chegou efetivamente às comunidades mais afetadas.
O fornecimento de água potável liderou as prioridades da instituição com 8231 toneladas distribuídas, seguindo-se a entrega de milhares de toneladas de bens alimentares, roupa e produtos de higiene.
A rede eclesial superou a barreira das cem mil pessoas assistidas através da montagem e entrega direta de 26 144 kits de emergência a um número igual de famílias fragilizadas pela catástrofe.
O esforço de socorro abrangeu também a expedição de 102 326 unidades de material médico e medicamentos para os centros de saúde locais, mobilizando quase oito mil voluntários no terreno.
O corredor humanitário aéreo desempenhou um papel vital nesta operação colossal, garantindo a chegada rápida de 540 toneladas de donativos reunidos pela diáspora venezuelana e por diversos parceiros internacionais.
“Manter viva a atenção sobre esta emergência não é um assunto de imagem, é a condição para que a ajuda continue a chegar quando é mais necessária”, apelou a Cáritas, perante o desvio da atenção mediática global.
A instituição católica lembrou que os sobreviventes enfrentam agora o processo de reconstrução das suas habitações, a procura de novos meios de subsistência e o tratamento de feridas psicológicas.
A sustentabilidade destas respostas a longo prazo exige apoio contínuo, recomendando a Cáritas que os donativos sejam canalizados exclusivamente através das vias institucionais oficiais para mitigar o risco de eventuais fraudes.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos no duplo sismo que atingiu a Venezuela a 24 de junho subiu para 138, indicou esta terça-feira o mais recente balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Os dois abalos sísmicos deixaram, pelo menos, 6125 mortos.
OC
