«O projeto vai ser tudo menos aquilo que está no PowerPoint», afirma Hugo Nunes
Lisboa, 17 jul 2026 (Ecclesia) – A Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD), ligada aos Sacerdotes do Coração de Jesus em Portugal, desenvolve projetos de formação humana, social, e cristã em países em desenvolvimento, nomeadamente Angola e Moçambique onde respondem “às prioridades no terreno”.
“Nós temos pessoas em campo, em Angola, em Moçambique, os padres que lá estão a viver e em missão, e vão-nos passando as necessidades que acham que são prioritárias. Dentro destas necessidades tentamos ver, entre os voluntários que estão a fazer formação, qual é a área que melhor se adequa, na área da saúde ou a área da educação ”, disse a presidente da direção da ALVD, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Vera Pinto acrescenta que depois os projetos da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos são elaborados “consoante estas necessidades que vão aparecendo” e, neste momento, têm três voluntárias em Angola, no Luau, a trabalhar na área da saúde, no próximo mês viajam “mais três voluntárias” para este país onde a congregação também tem uma missão em Viana, próxima de Luanda, centrada na educação.
O voluntário Hugo Nunes já esteve em missão no Luau (Moxico Leste) e conheceu “os projetos todos”, “há vários neste momento, aquilo é uma miniorganização a serviço da comunidade”, os voluntários todos, e ainda teve a oportunidade de “andar um bocadinho por lá”.
“Têm desde uma escola em que dão capacitação aos jovens que lá estão para trabalhar com as tecnologias, com os computadores, para nós é um dado adquirido, mas lá é uma novidade. Há uma biblioteca, que está fechada. Há um serviço de disponibilização, a um preço incrivelmente ridículo diria até, de água, porque não tem água, e a comunidade fornece isso”, explicou o entrevistado, que realizou a missão em Angola, no ano passado.
O voluntário, salienta, no fundo, “tenta ir ao máximo de sítios”, está sempre a andar de um lado para o outro, e “quando o sol se põe, é quando para”, e, sem querer “quebrar corações”, alerta que, por mais os voluntários façam, “será sempre uma gota no oceano”.
A ALVD, que nasceu no final dos anos 90 do século XX, no carisma do padre Leão Dehon o fundador dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, começou, este ano, uma “missão nova”, noutro país lusófono, em São Tomé e Príncipe, onde estão três voluntárias.
“Foram pioneiras, estão agora a tentar conhecer este país e as necessidades que existem para tentar desenvolver um projeto; a associação está dividida por três núcleos, no Porto, em Lisboa e na Madeira. Estas voluntárias, deste ano, que partiram fazem parte do grupo da Madeira”, desenvolveu Vera Pinto.
A presidente da direção da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos destacou que a Madeira tem “um grupo muito forte”, e são “muito orgulhosos por isso”, enquanto em Lisboa e no Porto, os outros dois núcleos, este ano tiveram uma “reestruturação a nível de formação”, e vão iniciar “um novo ciclo”, em setembro; a preparação para a missão tem a duração de “um a dois anos”, um ano inteiro de formação uma vez por mês, e, depois, o planeamento dos projetos.
A conversa com Vera Pinto e Hugo Nunes esteve no centro do Programa ECCLESIA, emitido na manhã deste sábado, dia 18 de julho, às 06h00, na RTP Antena 1, e também fica disponível online na Agência ECCLESIA.
Este programa na rádio pública, neste tempo de verão, está a dar conhecer projetos e experiências missionárias que congregam pessoas em torno do serviço ao outro, em território nacional e em outros países.
LS/CB/PR
![]() Hugo Nunes explica que “o projeto vai ser tudo menos aquilo que está no PowerPoint”, porque lá “não há as ferramentas”, e recordou quando iam “construir uma igreja em um dia”, tinha 20 voluntários para trabalhar, “só homens”, mas quando chegou eram “20 crianças, de 5, 6, 7 anos, mas as paredes foram construídas na mesma”, de tijolos de adobo uns em cima dos outros. “Eu chorei, porque eu fui para Angola com uma mala cheia de canetas e dei uma caneta a cada um desses meninos, e comecei a ver que eles estavam a desmontar as canetas e começaram a soprar para brincar. Eles não iam à escola, nenhuma daquelas crianças, claro que isto muda, então, ‘esquece, Hugo, esquece, vai na onda’, e foi o que aconteceu, brincámos um bocadinho”, recordou. Os Leigos Voluntários Dehonianos, acrescenta o entrevistado, vão para países que “têm muitos problemas”, mas são “muito bem recebidos”, e têm “excelentes condições, é quase insano”, a segurança, “água corrente, eletricidade, quando grande parte da população não tem”, mas querem receber bem estas pessoas que partem “de uma outra ponta do mundo” para ir ali fazer algo.
Vera Pinto também já esteve em missão, um ano no Alto Molócuè, em Moçambique, “uma das primeiras a ir para esta localidade”, com Sónia Barbosa onde montaram uma biblioteca e um centro juvenil, deram aulas de português e matemática e criaram aulas de teatro, regressou, mas voltou um mês para Nampula, e já passou por Angola. “Eu conheço a associação desde a sua fundação, basicamente, porque os padres de Dehonianos sempre tiveram um trabalho muito bom com os jovens, nomeadamente a Juventude Dehoniana; e eu sempre, desde muito pequenina, fui ouvindo os testemunhos dos voluntários que passaram e tive este desejo já com 16 anos, na altura, o padre Adérito, que foi o nosso fundador, disse que eu devia esperar mais um bocadinho, fui com 21”, recordou. A presidente da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos assinalou que os sacerdotes que estão em missão, “muitas vezes, são poucos face às necessidades que existem”, e a missão pode “não ser só num mês de verão”, mas em qualquer altura do ano, e até “há mais ajuda às pessoas que lá estão”. |


