Escutismo/Igreja: Novo chefe nacional quer definir plano estratégico a dez anos com ajuda de «todos»

«Mais do que atividades, nós queremos ação. Nós queremos simplificar o CNE» – Bento Sousa Lopes

Lisboa, 12 jul 2026 (Ecclesia) – O novo chefe nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) vai trabalhar na elaboração de um plano estratégico a dez anos para o escutismo católico em Portugal, assumindo a prioridade de auscultar toda a associação.

“O plano estratégico é algo fundamental para repensarmos a associação e queremos que essas linhas venham da própria associação. Portanto, queremos auscultar todos, todos, todos.”, afirmou Bento Sousa Lopes, em entrevista ao programa 70×7, emitido hoje na RTP2.

O responsável escutista, que iniciou o mandato a 1 de junho, sublinhou a vontade de promover um debate interno “desde os lobitos aos dirigentes”, inspirando-se no modelo sinodal do Papa Francisco, escolhido como figura tutelar do novo triénio.

A nova direção nacional procurou inspiração direta na “simplicidade, humildade e proximidade” do falecido pontífice para orientar a sua ação junto dos cerca de 70 mil associados.

“Nós o que fazemos, acima de tudo, é inspirar as nossas crianças a sonhar. A sonhar que podem e vão conseguir mudar o mundo”, destacou o chefe nacional, apontando o compromisso social como uma marca do perfil escutista.

O papel dos cerca de 14 mil adultos que abdicam do seu tempo livre para acompanhar as crianças e jovens mereceu o agradecimento do novo líder do CNE.

“A capacidade, o esforço, a dedicação que os nossos adultos colocam em educar as nossas crianças e jovens é simplesmente fantástico. Porque eles dedicam, às vezes em sacrifício da sua própria vida pessoal, profissional, para deixar a centelha”, referiu.

O mandato assume ainda como objetivo a simplificação do percurso formativo dos novos dirigentes, atualmente estimado em dois anos, mas Bento Sousa Lopes salvaguarda a necessidade de manter a “qualidade da formação”.

“Um dirigente bem formado, que é o que temos atualmente, impacta seriamente nos nossos elementos”, precisou.

Mais do que atividades, nós queremos ação. Nós queremos simplificar o CNE. Seja na formação, seja na estrutura, seja na burocracia.”

Foto Agência ECCLESIA/LJ, Bento Sousa Lopes

No âmbito interno, a reflexão gerada na instituição através do projeto ‘Entre Linhas’ consolidou a aposta no acolhimento e na inclusão.

“O que nós queremos aqui no CNE é que cada um se sinta bem e esteja bem. Somos a Igreja Católica, somos escuteiros católicos e queremos que toda a gente se sinta bem aqui neste perfil”, defendeu o entrevistado.

Bento Sousa Lopes realça o impacto da “formação integral da criança e do jovem”, no movimento escutista, que procura inspirar todos a ser “mais afetivos, com mais caráter, mais sociais, mais espirituais, mais intelectuais”.

O compromisso com a natureza mantém-se como um pilar da instituição católica, recordando o entrevistado que o movimento escutista “é dos primeiros ecologistas”.

“Com os variadíssimos objetivos de desenvolvimento sustentável que temos, é claramente uma prioridade para nós, como Junta Central, e naturalmente para o CNE. Se fomos a qualquer agrupamento, vemos esse cuidado no dia a dia”, indica o chefe nacional.

A agenda da nova direção arrancou com uma reunião descentralizada em Beja, como sinal de proximidade às realidades mais atingidas pelo isolamento demográfico, e aponta para a peregrinação nacional a Fátima, nos dias 26 e 27 de setembro.

Em 2028, a maior associação juvenil portuguesa regressa a Idanha-a-Nova para o Acampamento Nacional (Acanac).

PR/OC

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